ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 01/12/2020
Para Voltaire, filósofo francês do século XVIII, a intolerância é a marca do autoritarismo. Em sua obra “Tratado sobre a Tolerância”, define esta como sendo uma virtude moral, pois, quando o homem decide por usá-la, ele escolhe ir contra seus próprios instintos, isto é, aquilo que lhe é mais animal. Sob tal ótica, analisando a atual conjuntura do Brasil, frustra constatar que a intolerância religiosa é um problema grave a ser combatido. Por isso, torna-se necessário o debate acerca da atual cultura do ódio que permeia a sociedade, além da omissão governamental diante dos fatos.
A priori, é válido destacar que a cultura do ódio alimenta tal problemática. Isso decorre pelo fato de que o ódio excessivo é precursor da intolerância; e esta, por sua vez, é uma porta aberta ao desrespeito. Uma das possíveis causas desse fenômeno social é o próprio governo, que na figura do Sr. Presidente da República e seus ministros, se comporta, em muitos casos, de forma arrogante, preconceituosa, intolerante e autoritária. E assim, tal comportamento é banalizado, pois infelizmente parte da população pensa: “se o Presidente age dessa forma, está correto”. Com isso, eventos cada vez mais frequentes de ataques entre pessoas que se diferem com relação às suas crenças, são noticiados.
Em segundo lugar, vale salientar que existe uma certa omissão governamental frente aos fatos. Isso porque, como é sabido, as religiões de matriz africana são as mais atacadas no Brasil: só em 2019, segundo o “Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos”, houve um aumento de 56% no número de denúncias de intolerância religiosa com esses grupos.
O Estado brasileiro, laico por constituição, deveria assegurar ao povo o direito à liberdade de culto e de crença, além de garantir que haja igualdade e não-violência entre eles, o que não é atualmente evidenciado. Logo, é substancial a alteração desse quadro no panorama brasileiro.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tal problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Educação inserir nas escolas - tanto no ensino fundamental, como no ensino médio - uma matéria de cunho obrigatório, cujo nome seria “Diversidade Religiosa”. Além disso, é necessário promover palestras sobre esse tema, ministradas por psicólogos especialistas no assunto, voltadas aos pais desses jovens, a fim de conscientiza-los e de atuar na formação de cidadãos que respeitem a diversidade e que sejam mais tolerantes com as divergências de crenças e opiniões. Só através da tolerância, como disse Voltaire, é possível viver em uma sociedade livre.