ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 08/12/2020
Filósofos iluministas como Immanuel Kant colaboraram para a separação entre Estado e religião ao dizerem que o ser humano poderia alcançar a liberdade e decidir suas ações, através do uso da razão. No entanto, perguntas fundamentais que não são objeto da ciência permaneceram sem resposta e deixadas para a religião. Por exemplo, conceitos humanos importantes como alma, entendimento da vida como um todo e, o que Aristóteles chamava de primeiro motor, “Deus". Assim, essas perguntas, por mais impossíveis que pareçam são igualmente irremediáveis por serem vividas pelo ser humano todos os momentos da sua vida, o que faz a prática religiosa ser um direito humano universal, indispensável à continuidade da existência, e que deve ser respeitado.
Em primeiro lugar, nos dias atuais as pessoas estão cada vez mais longe de terem princípios fundamentais racionalmente estabelecidos como defendido por Kant. Decerto, a fluidez e instabilidade do mundo atual, como apontado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, faz com que inclusive os princípios se tornem frágeis. Dessa forma, as pessoas agem muito mais por obrigação gerada pelo medo de repreensão do que pela liberdade kantiana. Em vista disso, na ausência de repreensão aparente, como na internet ou locais pouco monitorados, as pessoas expõem todos seus pensamentos intolerantes e preconceituosos. Outrossim, a crença de que tudo pode ser comprado, faz com que as pessoas deixem de confiar em instituições para resolver conflitos, recorrendo a atitudes intolerantes e violentas.
Em segundo lugar, Olavo Bilac, poeta parnasiano, retrata o Brasil como constituído de nostalgias e paixões “De selvagens, cativos e marujos/ (…) Flor amorosa de três raças tristes”, mostrando a busca na arte de uma identidade brasileira formada por povos de etnias diferentes, mas que devem ser vistos como iguais, porém essa realidade ainda está distante. De fato, mais de 300 anos de escravidão no Brasil fez com que o preconceito continuasse “legalizado" mesmo após a abolição, como discutido pelo sociólogo contemporâneo Jessé Souza. Assim, a exaltação da cultura europeia como superior às demais é predominante, gerando preconceito, inclusive com a religião, dessas culturas marginalizadas.
Portanto, é míster que o Estado tome providências para minimizar esse quadro através do Ministério da Educação junto a escolas públicas e privadas, promovendo feiras culturais e palestras que mostrem a importância da religião na sociedade e ensinem sobre os direitos assegurados na Constituição brasileira e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ademais, essas feiras podem estimular aos alunos a compartilhar suas experiências religiosas, com o intuito de conviver com as diferenças e dar mais um passo para a quebra do preconceito, partilhando do otimismo de Machado de Assis quando escreveu em Helena: “E um preconceito desfaz-se; basta a simples reflexão”.