ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 09/12/2020
A Constituição de 1988, documento de maior hierarquia no Sistema Jurídico brasileiro, assegura em seu artigo 5º a liberdade de expressão e pensamento para todo cidadão. Conquanto, tal prerrogativa, na prática, não tem se manifestado com efetividade quando se observa a intolerância religiosa no Brasil, impedindo, dessa forma, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, vê-se que a negligência governamental e a falta de empatia favorecem esse quadro.
Primeiramente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de tolerância com as religiões no Brasil. Nesse sentido, devido a escassez de auxílio ao ensino sobre bases das crenças à população, esses cidadãos acabam por acreditarem em preceitos do senso comum, normalmente preconceituosos e segregacionista. Essa conjuntura, segundo o pensador John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos imprescindíveis, como a liberdade de expressão e pensamento, o que infelizmente é evidente no país. Nesse sentido, com a participação efetiva do governo relativo a educação religiosa, seria possível diminuir ou até acabar com essas generalizações sociais, o que possibilitaria a universalização do artigo 5º.
Outrossim, é fulcral pontuar a falta de empatia como impulsionadora desse cenário de intolerância. Conforme o sociólogo Zygmund Bauman, a sociedade vive em uma modernidade liquida, a qual as relações do mercado e o desenvolvimento tecnológico resultou em pessoas mais individuais e pouco empáticas. Diante desse exposto, uma sociedade que não se coloca no lugar do outro, apresentará um preconceito religioso, devido a falta de aceitação da sociedade de suas diferenças, o que é comprovado visto as denuncias relacionadas as crenças, que segundo dados da Folha.Uol chegam a 10 por mês.
Em suma, há a necessidade de se combater a intolerância religiosa. O Ministério da Educação deve, por meio de parcerias com escolas particulares e centros espirituais, promover aulas e palestras a população, o qual periodicamente um representante de uma religião irá ensinar a base de sua crença e desmistificará preceitos do senso comum, com o intuito de diminuir os preconceitos. Além disso, psicólogos e profissionais pedagógicos iram explicar o mundo liquido e instigar a pratica da empatia, a fim de tornar os cidadãos menos individualistas. Assim, será consolidado uma sociedade mais igualitária, em que o Estado desempenha corretamente o “contrato social”, tal como afirmava Locke.