ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 15/12/2020

Durante o início da Modernidade, ocorreu um movimento religioso conhecido como “Reforma Protestante”, o qual tinha, como um de seus preceitos, o fim da hegemonia de crença da igreja católica. Não tão distante da atualidade, contudo, sabe-se que embates por liberdade de expressão e pelo fim da intolerância religiosa, bem como no movimento, ainda ocorrem, demonstrando um retrocesso histórico e social do Brasil diante do passado. Assim, há a configuração de uma conjuntura, resultado não apenas da tentativa de padronização cultural da religião, como também da desinformação da sociedade pelas redes virtuais.

Inicialmente, é válido ressaltar a questão da homogeneização das crenças na sociedade brasileira. Exemplo disso é visto durante o movimento migratório do século XIX, fundamentado sob o objetivo de pulverizar a expressão étnica-religiosa, tanto indígena quanto africana. Nesse sentido, tem-se a perpetuação do comportamento europeu até a contemporaneidade, uma vez que, na tentativa hierarquizar e sobrepor, nos moldes do ideário supremacista, uma parcela da sociedade assume uma postura intolerante frente à diversidade religiosa de grupos minoritários. Desse modo, a segregação étnica é promovida no corpo social e a inadimplência no que tange ao direito à liberdade e à proteção de crenças no Brasil torna-se presente.

Além disso, é importante mencionar o desconhecimento religioso como fruto da interferência das tecnologias no cotidiano da sociedade. Isto é, na série televisiva “Black Mirror”, é apresentado um universo distópico em que as tecnologias utilizam mecanismos para manter, constantemente, as pessoas conectadas. Entretanto, ainda que fictícia, a trama é evidente na realidade, visto que, para garantir o uso incessante da internet, as redes criam uma bolha digital que mantêm as pessoas em contato apenas com aquilo que corrobora com o seu pensamento. Diante disso, diferentes conhecimentos não são apresentados ao usuário – como a diversidade religiosa -, construindo, dessa forma, uma rede de desinformação que legitima o comportamento intolerante.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para a dissolução dessa conjuntura. Para tal, o Ministério da Cidadania deve, por meio de sites e aplicativos, promover cursos online de ensino das religiões, a fim de mitigar a intolerância no Brasil e torná-lo um local mais inclusivo. Esses cursos seriam de acesso gratuito, ofertando, aos internautas, aulas sobre a diversidade religiosa, as histórias e as práticas dos credos brasileiros. Somente assim, o mundo contemporâneo se tornaria um lugar onde as diferenças são aceitas e o pleno funcionamento social seria a realidade de todos os grupos religiosos.