ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Há quase dois mil anos grande parte da humanidade passou a cultuar religiões monoteístas capazes de concentrar em somente uma divindade o poder supremo. No entanto, durante o imperialismo europeu, este poder divino classificaria os índios e negros como sem alma, justificando, assim, a intolerância religiosa e a marginalização da cultura não branca, sobretudo nos países colonizados, como o Brasil. Portanto, faz-se necessária uma análise dessa conjuntura, com intuito de mitigar tais práticas que corroboram com essa lógica imperialista europeia que intensifica a intolerância religiosa.
Em primeiro plano, vale ressaltar que o Brasil foi o último país ocidental a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888, resultado de uma movimentação político-econômica que ignora as contribuições culturais e religiosas dos ex-escravos. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos, de modo que o conjunto de ideias absorvidas pela colonização torna-se demasiadamente negativa para à liberdade de crença. Sendo assim, entende-se que o combate a intolerância religiosa deve ser um projeto de ressignificação da lógica e dos valores adquiridos no processo histórico brasileiro.
Em segundo plano, a verticalização da identidade brasileira imposta pelas elites entra em conflito na pós-modernidade, visto que a hegemonia produz narrativas que afastam das minorias à liberdade de culto religioso. Sob esse prisma, segundo a teoria do filósofo Stuart Hall, o sujeito pós-moderno é dotado de múltiplas identidades atravessadas, nas quais muitas vezes entram em conflitos. Dessa forma, Hall busca dentro dos movimentos sociais reconhecer as diferenças e diversidades identitárias, como o credo religioso, para arquitetar uma sociedade multiculturalista.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater a intolerância religiosa no cenário atual do Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação -Instituição do Estado responsável pela formação inteligível do indivíduo- inserir, nas escolas, palestras e oficinas, para desenvolver a capacidade estética e expressiva de se colocar no lugar do outro de maneira lúdica, articulada a reflexão da psicologia sócio-histórica, criando empatia e uma visão holística da diversidade e suas representatividades religiosas na história brasileira. Por fim, dessa maneira será possível oxigenar novas estruturas no imaginário coletivo capaz de fazer mudanças significativas na lógica imperialista europeia e, ademais, decompor o preconceito e a intolerância religiosas em novas possibilidades no que diz respeito ao pluralismo cultural.