ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 06/01/2021
No século VI a.C., os povos hebreus foram retirados de sua terra e trazidos para Babilônia, onde ficaram cativos por cerca de 70 anos. Diante desse contexto, conforme o livro bíblico de “Daniel”, o rei Nabucodonosor definiu que qualquer indivíduo que manifestasse uma crença diferente da sua seria perseguido e castigado. Infelizmente, na contemporaneidade, percebe-se um panorama semelhante, uma vez que atitudes de intolerância religiosa ainda persistem no Brasil. Com efeito, deve-se discutir sobre as manifestações culturais que deturpam valores relativos à fé, como também a promoção de comportamentos que auxiliam no bem-estar social.
A princípio, é mister debater sobre os códigos legais que autorizam a autonomia de opinião, bem como os atos que promovem a perversão de crenças. Nesse sentido, de acordo com a Constituição Federal de 1988, é assegurado aos indivíduos o direito de liberdade de expressão, desde que não se manifeste de modo ofensivo contra fiéis. Apesar disso, percebe-se, atualmente, a ocorrência de eventos que deturpam ícones de diferentes religiões. Dessa forma, segundo o site “G1”, no carnaval de 2019, algumas exibições artísticas trouxeram elementos parodísticos em relação a determinadas doutrinas, como a católica e a evangélica, assim, ferindo o privilégio constitucional. Dado o exposto, infere-se a necessidade de fomentar medidas que mitiguem a intolerância religiosa em espaços públicos.
Ademais, evidencia-se a premência de desenvolver ações que contribuam para a coexistência pacífica entre grupos de crenças divergentes. Nesse seguimento, em concomitância a Aristóteles, filósofo grego, a ética se materializa por meio da busca pelo bem-comum, isto é, quando os indivíduos optam por adotar uma postura respeitosa no convívio social. Desse modo, para o teórico, a promoção da alteridade é um dos caminhos para combater a intolerância religiosa, porquanto tais comportamentos capacitam o sujeito a compactuar com diferentes religiões no contexto social. Em conseguinte, atitudes discriminatórias deixarão de compor o atual quadro de indiferença no âmbito da fé no Brasil.
Em síntese, infere-se a existência de manifestações culturais que agridem aspectos relativos às crenças, como também os impactos positivos patrocinados por condutas que capacitam os indivíduos para viver em coletividade. Portanto, o governo federal, em parceria com o Ministério das Comunicações, deve estimular valores que patrocinem o respeito, por meio de documentários e campanhas publicitárias, a fim de proporcionar um bem-estar harmonioso entre segmentos religiosos divergentes. Além disso, tais mídias trarão testemunhos de diferentes fiéis. Por fim, espera-se que, com essas medidas, o direito constitucional seja assegurado com efetividade.