ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 09/01/2021

A intolerância religiosa é revelada como um dos mais complexos obstáculos a serem transpostos para atingirmos o pleno desenvolvimento de nosso país. Entre os vários fatores que concorrem para isso, destacam-se a violência e o discurso de ódio que diversos grupos utilizam para tentar suprimir e impor as suas ideologias. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações políticas, sociais e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX e que ainda se reflete em nossos dias. A falta de senso crítico e empatia expõem essa realidade.

O passado histórico da humanidade sempre nos remonta a tempos em que houve intolerância religiosa e uma minoria sofreu por apenas desejar seguir seus dogmas. Desde 1500, quando portugueses atracaram em terras brasileiras, o conflito entre as crenças indígenas e o cristianismo só cresceu durante os anos. Os lusos souberam impor o cristianismo aos nossos índios e o reflexo disso nós podemos enxergar até os dias atuais, quando constatamos que a maioria dos cidadãos brasileiros se declaram católicos e, mesmo que não praticantes, seguem os princípios cristãos.

Nosso país ainda apresenta altos índices de rejeição a diferentes dogmas. As religiões de matriz africana seguem marginalizadas, desde o século XVI, quando a colonização trouxe escravos que tentavam praticar suas crenças na nova terra. O judaísmo ainda nos traz más lembranças quando recordamos dos anos de 1940. Mais recentemente, temos constatado o ódio ao islamismo que teve ponto de destaque em 2001 no continente americano. A violência contra tais grupos é crescente, reflexo de uma nação que ainda não sabe respeitar não só as diferenças religiosas, mas também de gênero, sexuais e étnicas.

O combate à liquidez, citada inicialmente, pode tornar-se efetivo, já que, os cidadãos, comunidades e o governo devem juntar-se em parceria para diminuir os índices de intolerância religiosa em nosso país. Segundo Epiteto, antigo filósofo grego, só a educação liberta. O ensino doméstico, nas escolas e no cotidiano de respeito às diferenças deve tornar-se constante. O sistema legislativo brasileiro já assegura aos cidadãos o direito de livre expressão de crenças, o que nos falta são as noções e conscientização de boa convivência com as minorias através de políticas e ações públicas que visem combater o ódio, especialmente em ambiente escolar, instruindo os habitantes desde a infância para que possamos, afinal, alcançar os ideais da constituição.