ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 22/01/2021
O Brasil consolidou ao longo de sua história diversas trajetórias religiosas que dentro do quadro nacional sincrético conferem a ele diversidade. Porém, movimentos da própria constituição do Estado e de sua reprodução numa sociabilidade de exclusão do diferente forjaram um ambiente propício à intolerância religiosa.
Através de sua matriz colonial portuguesa o período imperial, por um esforço estatal de negação do diferente, instituiu-se uma religião oficial do império na Constituição de 1824 – a católica. Somou-se a isso, através da criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a formação de uma “identidade nacional” pautada pela unidade linguístico-religiosa do português e do cristianismo católico, desestruturando a diversidade dos povos ameríndios e da população escravizada então presentes.
Ademais, seguiu-se na República, em especial na ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, a destruição de terrenos de candomblé que somadas à perseguição de minorias étnicas estrangeiras no período do entre-guerras e Segunda Guerra Mundial, criaram uma cisão social cada vez mais grave da percepção da maioria católica dos diferentes. Entretanto, cada vez mais a participação da população protestante neopentescostal é aparente, chegando ao último censo do IBGE (2010) a cerca de 1/3 da população, o que confere a esse ambiente socialmente alheio a diversidade uma vetor de conflito entre grupos majoritários e permanência de exclusão de minorias.
Conquanto exista esse campo social descrito, diversas entidades, muitas vezes de viés religioso, operam no sentido oposto ao da exclusão. A Missão Paz, situada na antiga hospedaria dos imigrantes em São Paulo, é uma instituição católica que abriga imigrantes das mais diversas regiões do planeta, buscando acolhe-los e entender dentro de suas necessidades de caráter étnico-religioso específicas como podem ser orientadas a procurar oportunidades num novo país, justamente o movimento oposto da descrita formação histórica do Estado Brasileiro.
Nesse sentido, a fim se trilhar caminhos para combater a intolerância reliogosa no país, pode-se seguir alternativas que operem no sentido do exercício de alteridade e conhecimento do diferente para superar a barreira do preconceito. A coleta de dados sobre grupos religiosos diversos por meio de pesquisas com assistentes sociais e órgãos vinculados ao IBGE, juntamente às intervenções em escolas com membros de grupos diversos para palestras e compartilhamentos de conhecimentos como oficinas de culinária, artesanato, música e o encontro de lideranças religiosas de diferentes matrizes em feiras culturais sazonais de maior porte são intervenções interessantes à alteração do quadro de intolerância religiosa no país.