ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 15/03/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que toda e qualquer pessoa tem o direito à liberdade e à opinião. Contudo tal prerrogativa não tem sido cumprida na prática, uma vez que a sociedade tende a julgar e discriminar indivíduos que possuem crenças ou pensamentos diferentes dos da maioria. Diante dessa perspectiva, cabe uma análise ao porquê as pessoas tendem a colocar sua religião acima de todas as outras, e como isso afeta a convivência em sociedade.
Em um primeiro momento, deve-se ressaltar que a intolerância religiosa no Brasil é um problema que pode ser considerado fruto da história, visto que, durante o Brasil Colônia e Brasil Império, os povos indígenas e africanos eram vistos como inferiores e sua cultura era desprezada, já os povos europeus, por estarem no poder, consideravam-se superiores e culturamente evoluídos. Tal momento histórico reverbera até os dias de hoje, em que religiões de matrizes africanas são discriminadas e tidas como ‘‘coisa ruim’’, um exemplo desse preconceito enraizado é o instrumento musical chamado de macumba, que no Brasil, popularmente utiliza-se seu nome para referir-se a oferendas ou maldições. Em segundo plano, é fundamental apontar o Estado como principal impulsionador da intolerância no Brasil. Segundo Aristóteles, filósofo grego, a política tem como função preservar a integração entre os indivíduos da sociedade, porém isso não tem sido executado corretamente, já que, na atual crise política brasileira, a sociedade está segregada em polos opostos, e faltam medidas governamentais para unificar a população. Um exemplo desse descaso, foi realizado pela ministra do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), durante seu discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), no qual ela posiciona-se contra o aborto, e, reforça explicitamente uma proibição ao mesmo até para os casos em que ele é previsto por lei. Logo, é inadmissível que tal quadro continue a perdurar, dado que uma fígura estatal com tamanha importância deve manter uma postura mais neutra e não se deixar influênciar por dogmas religiosos, pois, tais atitudes podem acabar impulsionando a intolerância religiosa.
Depreende-se portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o MDH sofra uma reformulação completa comandada pelo governo federal, e, a partir desse pressuposto, o novo MDH, por intermédio de campanhas publicitárias, deve conscientizar a população sobre a diversidade e incentivar a inclusão, a fim de normalizar e promover a interação entre pessoas, mesmo que suas religiões ou opiniões sejam diferentes. Assim, consolida-se uma sociedade mais justa e igual, na qual o Estado se alinha com as ideias de Aristóteles e passa a respeitar os Direitos Humanos.