ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 09/04/2021

Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território canarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, teceu uma obra intitulada “Brasil, país do futuro”, idealizando a superação de problemas sociais por meio de uma característica singular do povo brasileiro, a empatia. Entretanto, tendo em vista a intolerância religiosa latente no território canarinho, verifica-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e à ausência de um comportamento social empático.

Sob primeira análise, é essencial pontuar que a inércia estatal contribui para a persistência da problemática. Nesse sentido, Zygmunt Bauman - expoente sociólogo polonês do século XX - elaborou o conceito de “Instituição Zumbi”, que evidencia a exponencial degradação da função social exercida pelo Estado que, em tese, seria de prover condições favoráveis ​​ao bem-estar e ao progresso social. Consoante a isso, o fenômeno exposto por Bauman mostra-se condizente com a realidade, tendo em vista o papel passivo do Ministério da Educação na promoção de palestras educacionais acerca da necessidade de respeitar às diferentes crenças religiosas. À vista disso, nota-se que a ineficiência estatal representa um dos porquês do problema.

Outrossim, a perpetuação da intolerância religiosa evidencia a maldade humana. Sobre isso, Hannah Arendt - célebre escritora alemã - teceu o conceito de Banalidade do Mal, segundo a qual a maldade está enraizada no cotidiano. Sobre isso, a temática estabelecida por Arendt relaciona-se à questão da  marginalização de religiões que não seguem a doutrina dominante, visto que a população desconsidera e julga como errado o culto às crenças divergentes da maioria. Diante disso, equanto a maldade humana se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais sérios problemas para a harmonia social: a intolerância religiosa.

Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) para a resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” (Associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos), devem pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, para que o Ministério da Educação promova a propagação de informações sobre a necessidade de combater a intolerância religiosa, bem como o quão fundamental é a pluralidade de religiões no processo de evolução social e na manutenção da democracia, tendo como finalidade estabelecer uma diminuição no número de casos desse preconceito, uma conscientização social e a massificação do tema na coletividade. Assim, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.