ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 20/04/2021

Um episódio da série televisivas “Vikings”, retrata o encontro dos vikings com os ingleses e como a relação religiosa de um povo com o outro foi discriminatória. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: a ausência de caminhos para combater a intolerância religiosa. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se a como a insipiência estatal e o meio social fomentam a problemática.

Primeiramente, há de se constatar a displicência governamental. Precipuamente, a Constituição Federal de 1988 garante acesso a um ambiente que prioriza o bem-estar social de todos. Entretanto, ao analisar a carência de políticas públicas disponibilizadas pelo governo a fim de concretizar a liberdade de expressão em torno das relações religiosas, é perceptível que essa premissa constitucional não é devidamente valorizada, uma vez que, de acordo com o site uol, apenas em 2013, cerca de 20% das vítimas de intolerância religiosa, sofreram algum tipo de abuso físico. Dessa forma, percebe-se que o imbróglio fere os princípios normativos da Constituição e recrudesce o infeliz cenário no qual um caminho para combater tal intolerância é cessado.

Posteriormente, vale ressaltar que a lacuna educacional corrobora esse quadro. Ademais, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas, ao não formarem um senso crítico nas escolas acerca da importância de se respeitar o direcionamento de crenças de terceiros, podem acabar por cometer algum ato de agressividade para com o diferente, seja tal agressão física ou verbal. Nesse viés, tal ausência de respeito atinge, majoritariamente, as religiões de cunho afro-brasileiro, uma vez que, do total de denuncias, em 2014, sobre a intolerância religiosa, apenas 25% delas eram para com outras religiões, conforme foi exposto pelo site anteriormente mencionado. Desse modo, confirma-se, lamentavelmente, que o meio social influi negativamente para a formação de um caminho para combater tal forma de discriminação.

Destarte, medidas fazem-se relevantes para salientar a importância de se respeitar as crenças de outrem. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Respeitando o direcionamento religioso dos outros”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e padres de diferentes religiões, a fim de expor, debater e combater as consequências que a intolerância religiosa traz para a sociedade. Assim, será possível gerar um caminho para combater tal distúrbio e distanciar-se do hediondo cenário apresentado em “Vikings”.