ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 26/04/2021

Desde o período da Antiguidade constata-se diferentes tipos de crenças religiosas que estavam inseridas nas estruturas sócio-políticas das civilizações da época. Acerca disso, evidencia-se na história muitos conflitos traçados entre os povos do passado, nos quais os vencedores obrigavam os outros indivíduos a se submeterem a uma nova cultura espiritual e material. Analogamente, nota-se que a intolerância religiosa presenciada na atualidade possui raízes históricas criadas a partir das primeiras comunidades. Nesse sentido, essa realidade se faz presente não só por meio da imposição de superioridade ideológica, mas também devido à falta de respeito por divergências filosóficas.

A princípio, vale citar a Conferência de Berlim, ocorrida no século XIX, na qual os europeus criaram uma filosofia de supremacia cultural em detrimento das outras populações. Sob essa ótica, infelizmente os seres humanos inferiorizam os seus semelhantes por se auto denominarem superiores. Para entender melhor essa lógica, Hugues- Félicité, importante filósofo francês, defendeu que deve haver um respeito mútuo dos direitos do próximo, para que a justiça e igualdade sejam evidenciadas. Desse modo, enquanto não houver empatia entre as sociedades, as lutas religiosas ainda serão constantes.

Outrossim, cabe salientar que segundo a filosofia existencialista de Paul Sartre, o homem está condenado a ser livre. Seguindo essa linha de raciocínio, entende-se que, após o nascimento, todos podem escolher a sua própria essência, ou seja, seguir as crenças em que mais se identificam. Indubitavelmente, essa teoria é adequada e preservada pela maior parte dos conjuntos sociais do mundo hodierno, o problema está nos discursos públicos nos quais os indivíduos não respeitam ideologias contrárias e atacam, fisicamente ou moralmente, rituais, costumes e valores de religiões divergentes. Assim, essas manifestações de ódio ocorrem constantemente e, em muitos casos, se apresentam de forma oculta, violando, como consequência, a liberdade do próximo.

Portanto, urge que o Poder Legislativo, responsável pela criação das leis, formule normas legais, em consonância com os outros poderes constitucionais, que viabilizem a criação de uma central de atendimento do Estado para a denúncia de discursos nos quais são defendidos a supremacia de uma religião em detrimento a outra. Isso será feito dentro de todos meios midiáticos com o fito de diminuir a ocorrência de diferentes ataques religiosos. Ademais, é necessário que o governo crie projetos de auto avaliação social para todos os cidadãos, nos quais sejam presentes perguntas, com apoio da análise psicológica, que promovam a conscientização e reflexão do respeito às diferentes formas de pensamento. Essa atitude terá grande importância, pois será feita com intuito de quebrar as manifestações de desrespeito herdado das antigas civilizações.