ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 17/05/2021
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) — conjunto de protocolos que legitimam a equipotência de privilégios entre os seres humanos— “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Contudo, quando se observa o hodierno cenário brasileiro, percebe-se que essa garantia não se encontra totalmente assegurada, tendo em vista a vigente intolerância religiosa, nutrida, em sua maior parte, pelo preconceito estrutural da sociedade, o qual ataca aquilo que não segue os preceitos do catolicismo romano, religião que por sua vez é a dominante no Brasil. Viabilizando, assim, uma análise da matriz cultural e da influência midiática — propagadoras de senso comum — como as principais instigadoras do problema sociorreligioso.
Nesse contexto, tem-se então que o sentimento de superioridade branca, isto é, europeia, é o progenitor da intransigência de culto no Brasil, uma vez que ao ser colonizado por Portugal foi inserido no DNA do país a cultura de menosprezar os povos derrotados e dominados pelos “brancos”, como foi o caso dos africanos durante o período escravagista, conforme pontua Claudio Vicentino em seu livro “História do Brasil”. De modo com que em consequência da falta de um ensino imparcial, que não tome nenhum partido ou dê maior credibilidade aos feitos de um dos lados, neste caso dos brancos, prevalece até hoje o preconceito com o que vem da África, destacando-se dessa maneira a intolerância de cor, e do oriente médio, em que as redes sociais e televisivas fazem prevalecer a generalização de que todo islâmico é terrorista.
Com base nisso, é possível se constar, portanto, o poder marginalizador da manipulação midiática sobre os grupos religiosos divergentes do catolicismo, posto que ao relacionar elementos deles ao culto ao diabo ou a bruxaria, como é o caso do terreio e dos rituais de dança do Candomblé, os jornais os configuram como um elemento de perigo para a sociedade, fazendo com as pessoas, em resposta ao medo que sentem, mantenham vivo o preconceito colonial. Fazendo com que, graças à falta de uma escolarização capaz de normalizar o diferente e de despertar o senso crítico nos indivíduos, seja visto nos dias de hoje conflitos como o da Palestina, em que a disputa religiosa é uma das principais motivações.
Frente ao exposto, faz-se dever do Ministério da Educação (MEC) – órgão responsável por capacitar as pessoas a viverem pacificamente em sociedade — elaborar, através da alteração do regimento escolar, um procedimento para as escolas que seja capaz de garantir a laicidade na sala de aula e inserir a criticidade e a aceitação do diferente nos estudantes, impossibilitando a tentativa de manipulação dos professores nos alunos, a fim de se conseguir, assim, findar a intolerância religiosa no país.