ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 17/05/2021

Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, no momento no qual uma atitude agressiva passa a se tornar constante, a população para de vê-la como prejudicial, tornando-se assim uma “banalidade do mal”. Hodiernamente, mesmo com avanços nos direitos referentes a religião, a intolerância religiosa vivida por praticantes de diferentes fés passou a ser banalizada, como na desrespeituosa expressão “chuta que é macumba”. Dessa forma, não há dúvidas que o preconceito religioso é acentuado, no caso de religiões africanas, pelo racismo estrutural instaurado nos primordios da colonização brasileira e pela falta de ensino religioso diversificado nas instituições escolares do nosso país.

Primeiramente, faz-se necessario destacar que 60% das denuncias contra ataques religiosos são proveniente de religiões de origem afro-brasileira. No ano de 1946, o ex-deputado e compositor Jorge Amado promulgou uma lei que exigia livre exercicio de crenças religiosas africanas, como a Umbanda. Em consoante a isso, é possivel notar que o preconceito racial é um fator agravante para o ódio religioso, proveniente desde os primordios da colonização brasileira, onde escravos africanos trazidos para o Brasil tinham sua religião desprezada pelos portugueses, ocorrendo a catequização. Assim, caso não interrompidos, desrespeitos que ocorrem individualmente nas ruas, com o avanço tecnologico, podem tornar-se manifestações de incitação de ódio atráves das redes sociais, agravando ainda mais o perigo a segurança pública dos atacados.

Ademais, convém ressaltar que o estado segundo a constituição se auto-denomina laico, porém, 86% dos deputados fazem parte da banca religiosa, e além disso a cédula do Real apresenta uma frase católica nela escrita. Segundo o filósofo A. Schopenhauer, “todo homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Sob tal ótica, com a falta do estudo de diferentes religiões e suas origens no ambiente escolar, juntamente da atmosfera monoteista instituida pela maioria, ocorre a violência contra o desconhecido. Dessa forma, o predominio religioso de uma única origem na sociedade pode acarretar na descrença da ciência, como vivenciamos no ano de 2020 com movimentos anti-vacina, crença essa que é necessaria para avanços na saúde pública e no avanço da sociedade.

Portanto, é mister que o estado tome providências para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação (MEC) integrar o ensino religioso diversificado nas escolas públicas, por meio de uma semana da diversidade religiosa - ocorrendo anualmente, com um lider religioso diferente diariamente apresentando a história da sua religião e seus valores -, com o intuito de dar um fim a intolerância religiosa no Brasil. Somente assim será possivel cumprir o desejo do falecido Jorge Amado, fazendo com que as diferentes crenças tenham liberdade em solo brasileiro.