ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 07/07/2021
Regina Moderna
Na canção “Como Nossos Pais”, a cantora Elis Regina denuncia o papel familiar na construção de relações sociais das novas gerações. Nesse contexto, apesar da enorme diversidade cultural do Brasil, é indubitável que os valores religiosos possuem grande influência na maioria das famílias brasileiras. Dessa forma, é paradoxal que a intolerância religiosa persista até os dias atuais, ao considerar a carga histórica do país.
Em primeira instância, é importante abordar que o preconceito entre crenças é uma prática contínua desde os primórdios da história nacional, marcada pela conversão dos índios ao catolicismo. Embora a Constituição Federal de 1988 assegure a liberdade religiosa na modernidade, percebe-se que a sociedade brasileira se mantém ignorante quanto à disparidade de perspectivas opostas aos seus valores pessoais, uma vez que, considerando o cristianismo como a maior religião do país, as religiões afro-brasileiras tornam-se o principal alvo da discriminação.
Segundo Pitágoras, a educação das crianças é um fator importantíssimo para a punição dos cidadãos, sendo assim, ao analisar o pensamento do filósofo, pode-se concluir que a família serve como condutor principal na formação educacional dos indivíduos, já que pessoas tendem a reproduzir práticas enraizadas no seu cotidiano. Sob essa realidade, é importante salientar que a falta de comprometimento das instituições do país ao redor desta problemática é, também, o maior fator para a quebra de cláusulas pétreas na cidadania, pois a escassez de conhecimento da população corrobora para a propagação do preconceito.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que desmistifiquem a problemática religiosa nos ambientes rotinais, como o familiar. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação e o Ministério da Justiça utilizar de seus poderes estatais para promoverem delegacias especializadas, a fim de acolher vítimas deste contexto. Urge, também, a necessidade da implementação de discursos no ambiente escolar acerca do problema, promovidos com apoio das massas midiáticas, para que exerça-se a luta contra qualquer preconceito adquirido sob influência parentesca. Desse modo, talvez, torna-se possível a recomposição da canção de Belchior, permitindo que Elis Regina cante com orgulho os novos versos: “Minha felicidade é perceber, que ao termos feito tudo, tudo o que fizemos, nós não somos mais os mesmos, e não vivemos como nossos pais.”