ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 27/06/2021

Em seu poema, “Das Utopias”, de Mario Quintana, célebre poeta brasileiro, é dito “Se as coisas são inatingíveis… ora!/Não é motivo para não querê-las…/Que tristes os caminhos, se não fora/A presença distante das estrelas!”. Nessa perspectiva, as utopias apontam para caminhos intangíveis, mas olhar para elas e deseja-las, muda e transforma o sentido da caminhada. Desse modo, é possível estabelecer um paralelo entre o trecho e a interância religiosa, uma vez que apresentam barreiras para a concretização dos planos de More. Esse cenário é tanto fruto da imperiosa negligência governamental nesse âmbito, quanto da discriminação configurada a partir da carência informacional.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma a incomplacência permite a intransigência à diferentes opiniões acerca das deliberações religosas individuais. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, a irracionalidade política usufrui dessa vulnerabilidade, sendo tão anêmicas que propostas para aprofundá-las de forma radical tendem a ser vistas como utópicas, limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado - neste caso, o desrespeito.

Além disso, uma comunidade que restringe a liberdade religosa, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, com a desvalorização religiosa – utraje do corpo social brasileiro – ,a democratização torna-se inviável.

Depreende-se, portanto, a relevância que o Governo tome providências para amenizar o quadro atual. No cerne da contemporaneidade, se a mídia, o Estado e a escola falham no processo de desenvolver, enquanto principais meios propagadores de informação, o pensamento crítico da coletividade, tem-se uma sociedade míope. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, a oferta de debates e seminários nas escolas, acerca da diversidade religiosa haja vista ser a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e, consequentemente, reduzir os efeitos adversos da problemática. Posto isso, será superado a intolerância religiosa e assim, observar-se-ia um Brasil não mais análogo à trama utópica.