ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 06/07/2021
Conforme a Constituição Federal de 1988, principal conjunto de códigos nacionais, é dever do Estado assegurar a laicidade, garantindo o respeito as liberdades individuais. Entretanto, nota-se ainda no Brasil empecilhos para erradicação da intolerância religiosa, sobretudo direcionada a crenças oriundas de matrizes africanas, devido ao racismo estrutural, tornando-se necessária a construção de caminhos para superação de preconceitos.
Em primeira análise, segundo o sociólogo alemão Karl Marx a historicidade evidencia as disparidades socioculturais de um povo. Mediante ao elencado, como representado na obra de Gilberto Freyre “Casa-Grande e Senzala”, os colonizadores impuseram seus costumes e credos sobre as populações escravizadas, reprimindo suas manifestações culturais e consequentemente sobrepondo o Cristianismo a religiões africanas. Desta forma, tais fatores reverberam na atualidade, uma vez que a fé afrodescendente ainda é vítima de perseguições e da marginalização, como exemplificado por dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, os quais demostram que seus seguidores são os mais atingidos por atos de violência, que não só comprometem a integridade física e psicológicas, mas também descumprem o que é defendido pela Magna-Carta.
Ademais, consoante ao pensamento do francês Voltaire, a intolerância é edificada pela desinformação. No que tange a representatividade de matrizes religiosas afro-brasileiras, observa-se seu baixo destaque midiático e político, sendo que, enquanto grupos cristãos usufruem de espaços nas grades televisivas e cargos de relevância no Legislativo, membros do Candomblé e da Umbanda, sofrem com a negativação de sua fé. Por conseguinte, tendo em vista seu limitado alcance, ideais e filosofias de religiões afrodescendentes são trabalhados de maneira rasa em instituições de ensino, como exposto por estudos das doutora em educação Stela Guedes, os quais revelam que para estudantes seguidores de crenças africanas, ambientes escolares são onde mais sofrem com a intolerância, evidenciando a conservação de preconceitos.
Infere-se, portanto, a necessidade do combate à discriminação religiosa. A começa pelo desenvolvimento de campanhas informativas pelo Ministério das Comunicações, voltadas a conscientização popular e incentivo a denúncias contra atos de injúria, tendo por finalidade assegurar o respeito a diversidade espiritual. Outossim, tendo em vista que a educação é a base para mudança, a promoção de palestras e debates, gerenciados pelo Ministério da Educação, referentes a aspectos culturais das religiões africanas e a relevância da deferência aos direitos individuais, que visem o aprimoramento do senso crítico dos alunos e o impulso a mudanças em âmbitos sociais.