ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 08/07/2021

O cantor Lenine, em sua canção “Jack Soul Brasileiro”, exalta a notável concentração de ciclos culturais simbióticos no Brasil, que supostamente deveriam massificar a liberdade de expressão de uma miríade de tradições. Contudo, o contexto brasileiro ainda torna a deturpar tal preceito quando se observa a persistência da intolerância religiosa na sociedade hodierna, uma ameaça ao caráter inclusivo da identidade nacional. Por isso, é imperativo compreender sua ocorrência como resultado da negligência educacional e jurídica.

Destarte, convém ressaltar que, diante da ascendente banalização de culturas minoritárias, a pífia abordagem escolar sobre o entrave omite a importância da hegemonia laicista nas redes. Conforme o filósofo Sócrates, o processo de aprendizagem deve a provocar a reflexão discente quanto a opiniões prefixadas, de modo a reverter ultrajes no pensamento do aluno. Nesse sentido, a partir da evidente tecnicização do ensino nacional, o corpo educador abre mão do debate pautado em pré-concepções etnocentristas, o que, ao mesmo tempo, afronta as ideias do cânone da filosofia grega e perpetua a inferiorização do patrimônio de múltiplas doutrinas estrangeiras. Assim, tal conjuntura precede a indiferença popular acerca de linchamentos virtuais motivados por questões étnico-religiosas.

Ademais, é prudente destacar as proporções atingidas por rivalidades entre princípios oriundos de diferentes crenças nos ambientes públicos de socialização. Sob esse viés, é inaceitável a contribuição da impunidade em casos de agressão físico-verbal a fiéis de religiões afro-brasileiras nessas localidades à perpetuação desta no Brasil. Essa inoperância, segundo a sociologia do pensador Émile Durkheim, configura derivações patológicas dos fatos sociais, pois a fuga das normas penais pelo Sistema Judiciário - considerado, pelo Banco Mundial, como o 30º mais lento entre 133 países - se opõe à normalidade esperada pela população nesse aspecto ao passo que a conduz à anomia - ou seja, desordem generalizada. Logo, a atenuação da funcionalidade constitucional universaliza a conjectura de liberdade irrestrita, o que impulsiona a nocividade da extremização da fé contra esses importantes componentes socioculturais da federação.

Portanto, o Estado deve atuar no combate à intolerância religiosa. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação e da Cultura (MEC) crie, por meio da aprovação de emendas facilitadoras de investimentos em tal intervenção, palestras, em instituições educadoras nacionais, acerca da temática, com destaque ao Norte e ao Nordeste, detentores de medíocres níveis de escolaridade, a fim de relacionar sua reverberação à negligência educacional. Somente assim a consciência coletiva abolirá as fronteiras entre o discurso musical de Lenine e o panorama vigente na nação.