ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 13/07/2021
“Não é incrível o homem brigar pra poder rezar pro mesmo Deus da gente”. De 1991, nesse trecho da música “Planeta Terra”, da cantora Xuxa, evidencia-se, mesmo após 30 anos, um paradigma ainda muito presente na sociedade: a intolerância religiosa. Nesse sentido, em razão de reflexos históricos e de uma educação deficitária, emerge um problema complexo — que precisa ser revertido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que um passado repleto de preconceito reflete, diretamente, na conduta social atual. Sob esse ângulo, no período colonial brasileiro, os escravos africanos eram proibidos de expressar sua fé originial, já que, ná época, tudo que não fosse do cristianismo era visto como bruxaria, por isso, os negros originaram o processo de sincretismo religioso, no qual surgiram o candomblé e a umbanda. No entanto, ao se observar o contexto nacional, nota-se que, mesmo após séculos, e, apesar de laico, o país ainda tem um certo preconceito com os cultos não cristãos, já que, segundo a Secretaria dos Direitos Humanos, fiéis de crenças afro-brasileiras são as principais vítimas de preconceito religioso. Assim, não é razoável que a intolerância — seja ela de qualquer natureza — permaneça em um país que almeja se tornar nação desenvolvida.
Ademais, é importante salientar que a baixa qualidade da educação nacional é algo que corrobora a discriminação no país. Nesse viés, consoante o filósofo Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange ao preconceito voltado à expressão da fé individual, percebe-se que a escola não cumpriu — e ainda não cumpre — o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez poderia abordar, diretamente, sobre os tipos de preconceito em uma matéria específica. Assim, um possível caminho para se combater a repulsão às diferenças é usar o raciocínio de Kant: fazer o indivíduo crescer intelectualmente a partir de um bom ensino, o qual preze pela empatia e pelo respeito mútuo.
Infere-se, portanto, que os 3 Poderes, os quais têm papel na organização, criação e execução das leis, façam o seus trabalhos, por intermédio da criação de normas mais severas aos preconceituosos, como altas multas e trabalho comunitário, a fim de quebrar esse situação calamitosa. Por sua vez, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, deve desenvolver um projeto pedagógico, o qual aborde sobre os principais problemas da sociedade atual, como os diversos tipos de intolerância. Diante do pressuposto, o plano ocorrerá por meio da criação de uma nova disciplina, com o intuito de tornar as novas gerações mais abertas às diferenças. Dessa forma, espera-se frear a intolerância religiosa no Brasil e fazer com que o trecho da música de Xuxa seja apenas arte.