ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 09/08/2021
A música “Imagine”, de John Lenon, retrata a imaginação de um mundo perfeito, onde não existiriam preconceitos de ordem social, econômica ou cultural. Entretanto, ao voltar à realidade brasileira, verifica-se que os versos do cantor não passam de uma utopia, visto que a intolerância religiosa ainda reina no país. Há caminhos para reverter esse cenário, mas eles só serão viabilizados com o combate às principais causas da discriminação espiritual: o descaso governamental e o etnocentrismo enraizado no Brasil.
Em primeiro plano, cabe pontuar a negligência dos poderes públicos. Na obra “Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein defende que o legislativo brasileiro possui muita facilidade em elaborar leis, mas não em cumpri-las. Nesse contexto, apesar de a liberdade de credo ser garantida pela Constituição, tal direito é ignorado, considerando a falta de campanhas de conscientização popular e o pouco incentivo à representatividade de crenças fora do eixo cristão. Infelizmente, isso aponta que o descaso estatal absurdo propaga a intolerância religiosa.
Além disso, é importante lembrar que o etnocentrismo cria preconceitos de ordem espiritual. Durante o século XVI, nas primeiras décadas de dominação portuguesa, era evidente a falta de relativismo cultural com os povos indígenas que viviam ali. Na carta de Pero Vaz de Caminha, por exemplo, observa-se que os europeus julgavam os nativos como “sem cultura” por não seguirem a tradição deles em muitos aspectos, entre eles, a religião. Dessa forma, voltando ao contexto atual, pouco mudou: a opressão que era simbolizada pela figura jesuíta se encontra em comentários desrespeitosos, os quais vão de encontro ao esperado de um país laico. Tais fatos são revoltantes e incitam que o etnocentrismo intensifica a intolerância religiosa no Brasil.
Portanto, sabendo disso, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve conscientizar a população por meio de um “Manual da Pluralidade”, que explique, em linguagem simples, a laicidade do Estado e sua importância, a fim de reduzir a omissão governamental. O Ministério da Educação também deve instruir os cidadãos através do ensino das culturas indígenas e afrodescendentes nas escolas do país, diminuindo o etnocentrismo. Assim, os versos de Lenon deixarão de ser totalmente utópicos no Brasil.