ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 22/09/2021

A Constituição Federal do Brasil, declarou a laicidade oficial do país em 1988, promovendo a separação entre o espectro espiritual e o Estado. Entretanto, apesar da expectativa de progressão do cenário, atualmente, a nação ainda enfrenta desafios de combate da intolerância religiosa. Isso ocorre, não só devido à propagação de um passado preconceituoso, mas também ao descaso político em reconhecimento da problemática.

A partir disso, tem-se que o apego a preceitos difundidos historicamente, contribui com a manutenção do viés discriminativo. Durante a colonização lusitana, a crença da soberania da fé católica, impôs aos indígenas, a catequese como forma de conversão espiritual. Nessa perspectiva, a difusão hodierna dessa ideia obsoleta, realizada principalmente no ambiente doméstico, resulta na desvalorização de outros credos, especificamente aqueles de origens africanas e indígenas. Desse modo, a conservação de doutrinas opressivas, as quais foram utilizadas em um período findo, prejudica o combate da intolerância religiosa.

Outrossim, é válido destacar que a falta de atenção política direcionada à controvérsia, também colabora com sua persistência. De acordo com Thomas Hobbes, filósofo inglês, a função do Estado consiste em assegurar a paz social, em troca da obediência plena dos cidadãos. No entanto, a negação da existência do preconceito religioso, somada à falha de identificação dos fatores responsáveis, como a disseminação do mito da superioridade de algumas religiões em detrimento de outras, mencionada anteriormente, provoca uma quebra no compromisso supracitado e a convivência em sociedade torna-se inviável. Logo, a falta de ação do Poder Público, exemplificada pela indiferença em reconhecimento da questão, garante condição precária de coabitação para indivíduos afetados pela discriminação espiritual.

Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, órgão de capabilidade educativa, promova a importância da notoriedade de todas as crenças, por meio de propagandas publicitárias de conteúdo famíliar, veiculadas em mídias sociais populares, com o objetivo de eliminar a propalação de doutrinas retrógradas. Ademais, é dever do Estado, instituição máxima de poder, reconhecer o panorama hostil em que o Brasil se encontra, por intermédio da criação de entidades específicas responsáveis pela investigação de casos de intolerância espiritual, a fim de encerrar a ótica de descaso público com os casos de discriminação com o sagrado. Assim, é possível avançar no combate à intolerância religiosa e possibilitar um Brasil coeso e inclusivo.