ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 30/08/2021
A Constituição Federal de 1988 garante direito a todos os cidadãos de realizarem seus cultos religiosos sem sofrerem discriminação de terceiros. Entretanto, o silenciamento social e a priorização de interesses financeiros impedem que religiosos muçulmanos e de matrizes africanas – principais vítimas da intolerância religiosa – usufruam dessa constituição. Por isso, tais fatores formam um problema que deve ser solucionado pelo Estado.
Em primeira análise, é importante ressaltar o silenciamento da sociedade. Segundo Djamila Ribeiro, para que o problema seja solucionado é necessário tirá-lo da invisibilidade. No entanto, há um silenciamento implantado na questão da intolerância religiosa no Brasil, visto que pouco se discute sobre a diversidade religiosa na mídia, como é falado sobre o cristianismo – quando periodicamente os jornais informam a sociedade sobre ações feitas pelo papa -, por exemplo, excluindo religiões como islamismo e de matrizes africanas do meio social, gerando a desinformação na comunidade sobre tais religiões, o que contribui com o aumento da discriminação sofrida por esses fiéis. Com tais afirmativas, nota-se a urgência em reificar o quadro do país.
Ademais, a priorização de interesses financeiros também é um fator para o combate a intolerância religiosa no Brasil. De acordo com Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica capitalista. Tal pensamento é nítido no preconceito que certos religiosos sofrem por seguirem suas doutrinas, como quando muçulmanas não são contratadas para trabalharem em um estabelecimento somente por usarem hijabs, vestimenta de tradição islã, por exemplo – deixando claro ainda, que as empresas estão mais preocupadas com seus capitais e com o estereótipo de futuros funcionários do que com a inserção desse grupo no mercado de trabalho, e que ainda contribuem com a discriminação de tais doutrinas. Assim, priorizar os valores humanos e acabar com a lógica capitalista é de extrema importância.
Portanto, é essencial que o Estado tome providências que amenizem o quadro atual. Para o silenciamento social, urge que a mídia e o Ministério da Educação criem, por intermédio de verbas governamentais, palestras sobre a diversidade religiosa, com a finalidade de conter a desinformação social. Paralelamente, para a priorização de interesses financeiros mercadológicos, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio de verbas públicas, instruir empresários sobre a importância de abandonar os estereótipos, a fim de diminuir a intolerância religiosa sofrida por fieis que adotam diferentes vestimentas no seu cotidiano. Somente assim, a Constituição de 1988 será respeitada.