ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 07/10/2021
Entre os principais aspectos do execrável regime nazista que perdurou na Alemanha à época da Segunda Guerra, o preconceito e a intolerância foram certamente os mais marcantes. Embora tal regime felizmente tenha ficado na história, a intolerância religiosa ainda é muito recorrente na contemporaneidade e, na sociedade brasileira, é fruto da adequação aos costumes colonizadores e da carência educacional acerca das religiões, que gera o preconceito. Nesse prisma, é premente analisar as causas dessa problemática, bem como os caminhos para o combatê-la e impedir que mais pessoas sejam vítimas de intolerância.
A princípio, destaca-se as raízes históricas da intolerância religiosa como causa da intolerância na atualidade. Na Europa do século XV, início do período das Grandes Navegações, a Igreja Católica era muito influente e muitas nações, inclusive Portugal, impunham o catolicismo à todos os civis. À luz disso, ao aportarem em terras brasileiras e encontrarem nativos que professavam diversos outros tipos de crenças, os portugueses se empenharam na doutrinação dos que aqui viviam. Assim, graças a essa imposição, consolidou-se uma sociedade que até os dias de hoje é majoritariamente católica, fruto da intolerância religiosa vivenciada pelos primeiros brasileiros.
Destarte, além desse histórico de intolerância, a lacuna no sistema educacional no que se refere à promoção do respeito às diferenças acentua ainda mais a problemática. Consonante ao pensamento do autor Paulo Autran, que alega que: “Todo preconceito é fruto da burrice e da ignorância”, observa-se que a falta de uma disciplina que abranja assuntos como as várias religiões presentes no Brasil culmina na formação de indivíduos preconceituoso. Nesse prisma, ao se depararem com religiões que fogem do tradicional imposto pela colonização, como as de matrizes africanas, esses seres tendem a rejeitá-las, haja vista a falta de conhecimento sobre elas, caracterizando-se assim, a intolerância religiosa.
Portanto, conclui-se que os reflexos da colonização e o déficit educacional constroem a problemática religiosa e determinadas medidas são necessárias para conter seus efeitos. Em adição à sua frase, Paulo Autran diz que “qualquer atividade cultural contra preconceitos é válida”. Sob essa ótica, urge que o Governo Federal, no âmbito do Ministério da Cultura, promova saraus em locais públicos, como praças e parques, com o tema “religião”, com o fito de apresentar às pessoas a multiplicidade religiosa do Brasil pós-colonial e suas características. Para tal, é necessário convidar as pessoas que entendem do assunto, adeptos das respectivas religiões, teólogos e cientistas sociais, por exemplo, para que discorram acerca do tema. Dessa forma, o preconceito seria, por fim, esvaído e ceifar-se-ia a intolerância, que ficaria apenas na história.