ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 07/10/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura, em seu artigo 5, a liberdade de crença religiosa às pessoas. Todavia, infelizmente, diante dos pensamentos etnocêntricos atuais, evidencia-se que os preceitos da Carta Magna estão distantes de serem efetivados no Brasil, devido à persistência da intolerância religiosa. Nesse sentido, hão de ser analisadas as causas que corroboram para esse grave cenário: a negligência governamental e a falha no ensino educaional, sendo, portanto, necessários caminhos para combater essa problemática.

Nesse viés, é indubitável pontuar o descaso do governo como influente no revés. De acordo com Thomas Hobbes, filósofo inglês, o Estado deve proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda a coletividade. Entretanto, essa concepção não é visível na conjuntura brasileira, pois, uma parte dos cidadãos ainda são vítimas de discriminação religiosa, uma vez que as organizações governamentais não medem esforços para combinar caminhos de garantí-los qualidade de vida plena e ideal . Com efeito, essa parcela da sociedade tem de se deparar com o medo de praticar sua crença, lamentavelmente, tendo em vista à prevalência  de atitudes agressivas na sociedade. Desse modo, faz-se necessário que o Estado não se omita dessa problemática.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominante no Brasil, como outro impasse para solucionar o preconceito de credo. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia do Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ele destaca a importância escolar em desenvolver não apenas o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, tais quais respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino no Brasil, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate à intolerância religiosa e, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealizou, ao contrário, desenvolve-se cidadãos etnocêntricos e individualistas. Logo, a ignorância prevalece.

Em suma, visto os desafios que contribuem para o impasse, é mister a atuação governamental para combatê-los. Diante disso, urge que o Ministério da Educação, conjuntamente ao Ministério da Comunicação, devem promover campanhas de conscientização sobre o respeito as diferentes religiões. Isso pode ser concretizado por meio de verbas destinadas à educação, a fim de garantir o direito à liberdade de crença e, consequentemente, proporcionar um boa qualidade de vida à população brasileira. Dessa maneira, espera-se, assim, que os cidadãos não tenham medo ao professar sua religião e não se sintam constantemente julgados.