ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 14/10/2021
Nos primeiros episódios da série famosa da Netflix “Elite” é discriminado o preconceito vivido pelo personagem Nadja, que além de ser pobre numa escola de maioria ricos, era mulçumana. Em consonância com a realidade de Nadja, está a de muitos cidadãos brasileiros, dada a manutenção de conceitos e atos inadequados - xenofobia - e a negligência do governo diante esse mal, configurando, assim, um problema.
A princípio, é válido desatacar que já na literatura dos tempos do Brasil Império, eram relatados casos de intolerância religiosa no país, principalmente direcionados aos escravizados - alvos da igreja católica e da elite - que eram duramente perseguidos por manifestar sua crença em suas danças e em seus ritos religiosos. Diante disso, fica claro que desde muito tempo o Brasil mantém o preconceito e uma certa indiferença, que muitas vezes assume um caráter violento com aquelas religiões distantes de suas devoções primeiras, principalmente com as de matriz africana. Sob esse viés, torna-se exposto o etnocentrismo enraizado nessa sociedade, dado o julgamento da cultura do outro a partir da sua e configurando-a, como inferior e estranha.
Outrossim, é de fundamental relevância o debate acerca da omissão do estado neste caso. Sob essa perspectiva, torna-se claro a inoperância da máquina pública para conter tal perigo, que mesmo diante esse cenário preocupante, quando é oferecido algum tipo de serviço para conscientizar ou até mesmo conter tais atos, são quase que ineficientes, algo que contribui diretamente para a potencialização desse mal. Nesse sentido, esse quadro de negligência estatal só reforça a teoria das Instituições Zumbi do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que descreve os órgãos do estado como presentes na sociedade, porém não cumprem o seu papel de garantir a dignidade e a qualidade de vida de sua nação.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para combater a intolerância religiosa no Brasil. Cabe, então, ao Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Educação, por meio de oficinas, de aulas temáticas e de atos ecumênicos nas escolas, promover o encontro - com alguns praticantes - dessas mais diversas crenças, afim de trabalharem suas diferenças e aquilo que as tornam únicas, para o logo entrarem num processo de naturalização e aceitação dessas disparidades. Só assim, o país vislumbrará um cenário diferente e distante daquele vivido por Nadja.