ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 20/10/2021

No final da Baixa Idade Média europeia, entre os séculos XIV e XV, insurgia na Europa Ocidental diversas correntes religiosas derivadas de vertentes protestantes, as quais, em sua grande maioria, eram tolhidas por autoridades da Igreja Católica devido às divergências de práticas ritualísticas. Nessa lógica, nota-se, contemporaneamente, que a intolerância religiosa, apesar da laicidade do Estado, persiste na sociedade brasileira desde o Brasil Colônia. Tal fato se justifica porque as religiões de matrizes africanas são estigmatizadas, ademais, existe um clima de rivalidade religiosa no país.

Em uma primeira análise, é preciso elucidar que as religiões de matrizes africanas, historicamente, são tachadas de modo pejorativo como bruxaria e mágia negra, perpetuando na sociedade brasileira, sob uma ótica de ignorância cultural, o preconceito religioso. Segundo a British Broadcastion Corporation Brasil (BBC), em cada dez ocorrências de intolerância religiosa, cinco são contra adeptos de religiões africanas. Logo, percebe-se que os praticantes de religiões originárias da África, como o candomblé e a ubanda, são os mais vulneráveis socialmente à intolerância religiosa que, em muitos casos, culmina em violência moral e física, degradando os integrantes desses ritos e os levando, forçosamente, à organização de reuniões secretas por medo de persiguições religiosas, mesmo em um Estado laico.

Outrossim, é necessário refletir sobre o clima de rivalidade religiosa no Brasil, pois compreende -se que alguns praticantes religiosos querem subjulgar a religião do próximo. De acordo com a Folha de São Paulo, jornal de grande circulação nacional, em meados dos anos noventa, um pastor evangélico chutou e quebrou, durante apresentação pública na televisão, um símbolo de alta importância para a comunidade católica. Nesse contexto, entende-se que o desrespeito aos dogmas religiosos de terceiros gera conflitos sociais, os quais, tensionados pelos ataques públicos, aumentam a aversão entre os grupos, que acabam por criar uma competição fundada na ideia de uma religião superior às demais.

Desse modo, faz-se necessário criar medidas que assegurem o fim da intolerância religiosa no Brasil. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação - maior e mais importante instituição educacional do país -, por meio de alterações na Base Nacional Comum Curricular, insira no ensino básico uma disciplina exclusiva para o ensino da cultura africana, para que, assim, os futuros cidadãos brasileiros acabem com o estigma associado às religiões de matrizes africanas. Paralelamente, a Igreja Católica deve, a partir de congressos internacionais, convocar os maiores líderes religiosos do mundo para debater sobre a rivalidade entre as religiões, dessa maneira, amenizando as relações entre as instituições. Feito isso, o Brasil evoluirá para uma sociedade que, diferentemente do período da Baixa Idade Média, todas as manifestações religiosas sejam livres de preconceito.