ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 05/04/2022
Exercer o direito de existência e da liberdade de expressão, sobretudo da expressão religiosa, são práticas garantidas pela Constituição Federal de 1988. Todavia, quando a falta de representatividade de minorias religiosas se soma a um racismo estrutural ainda presente na sociedade brasileira, observa-se o fortalecimento do discurso da intolerância.
Sob essa ótica, a falta de representatividade na política de algumas religiões, como as africanas, colabora para o enfraquecimento do debate público sobre tolerância. Nesse contexto, a “TV Senado” noticiou, em 2016, a correlação entre o aumento de projetos voltados à proteção de crenças religiosas, como o aumento de deputados abertamente não cristãos, o que vislumbra à tolerância religiosa promovidos com a maior presença dessas minorias na política. Dessa forma, é evidenciado que, quando representantes de diversas religiões são incluídos no debate público, eles atuam na promoção do maior diálogo, fator que amplia o combate ao preconceito religioso.
Além disso, o racismo estrutural no Brasil dificulta a aceitação religiosa, principalmente a africana. Nesse sentido, o livro “A cor púrpura”, de Alice Walker, relata como o processo de colonização foi apagando a atuação das religiões ancestrais africanas à medida que avançava, fator que estimulou e foi estimulado por um constante pensamento de superioridade manifestado pelos colonizadores. Nesse mesmo viés, a sociedade no Brasil também passou por essa doutrinação religiosa em sua colonização, fato que contribuiu para enraizar o preconceito religioso contra tudo que era divergente da crença pregada pelos colonizadores portugueses, fervorosos católicos, o que ainda se reflete na atualidade.
Portanto, é imprescindível que seja ampliado o combate à intolerância religiosa. Para isso, é necessário que o governo, representado pelo Ministério da Cultura, promova ações que ampliem os espaços de debate de todas as religiões, atuação mediante o uso das mídias sociais que estimularão a tolerância, bem como favorecerão a participação política desses grupos. Caminhos estes que somados, reduzirão esse preconceito ainda persistente.