ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 20/06/2022

O preconceito como barreira para a diversidade religiosa no Brasil

A priori, a intolerância religiosa tem seus primeiros registros no Antigo Império Romano durante o governo do imperador Nero, que perseguiu cristãos por anos. Posteriormente, com a ascensão do catolicismo e o estabelecimento do Feudalismo surge a “Santa Inquisição” com o propósito de buscar o arrependimento daqueles considerados hereges pela Igreja e condenar as teorias contrárias aos dogmas do cristianismo. Ademais, no Brasil, o conceito de liberdade religiosa surge apenas na República da Espada como resultado da promulgação da Constituição de 1891.

Segundo dados do IBGE, cerca de 54% da população brasileira é negra, entretanto, o Brasil é o país que mais persegue fiéis de religiões afrodescendentes. Sem dúvida a Umbanda e o Candomblé são as religiões mais afetadas pela intolerância religiosa em virtude da demonização dos cultos e do racismo estrutural que permeia a sociedade brasileira desde a chegada dos primeiros escravos. Aliás, com base em dados levantados pela organização Gênero e Número, 59% dos boletins de ocorrência registrados por crimes contra liberdade religiosa foram feitos por membros da umbanda e do candomblé.

Por analogia, o filósofo John Locke afirmou que “Não é a diversidade de crenças, que não se pode evitar, mas a tolerância negada aos que têm crenças diferentes”, logo, as práticas religiosas são de cunho pessoal e funcionam como um dos principais mecanismos de garantia de liberdade para as sociedades modernas, visto que a intolerância foi responsável por diversas guerras e disputas sobre religião no mundo. Só para ilustrar, a Nigéria não só enfrenta uma intensa crise econômica como também uma disputa religiosa entre muçulmanos e cristãos que já deixou milhares de mortos desde o ano de 1953.

Em suma, é de extrema necessidade que este tipo de preconceito seja combatido. Indubitavelmente, o Ministério da Educação em conjunto com o Comitê Nacional da Liberdade de Religião deve realizar palestras nas escolas faculdades e locais de trabalho sobre o dever dos cidadãos de respeitar as mais diversas crenças. Além disso, realizar propagandas que disseminem informações sobre as religiões existentes para evitar a circulação de notícias falsas também é importante.