ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 05/07/2022

Na obra “Utopia”, o escritor Thomas More retrata uma sociedade perfeita, ou seja, na qual o corpo social padronizava-se pela ausência de conflitos e dilemas interpessoais. No entanto, o que foi apresentado pelo autor manteve-se apenas no plano literário, visto que a intolerância religiosa ainda é um forte problema no Brasil. Esse panorama antagônico é fruto não só do descaso estatal, como também da má formação educacional.

Sob esse viés analítico, é importante destacar, a princípio, que a inoperância é um fator preponderante para a ocorrência dessa problemática. Nesse contexto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988, e pela cidadania apenas no campo teórico. Dito isso, pode-se afirmar que a intolerância religiosa vai ao encontro do cenário postulado pelo jornalista. Essa situação ocorre de tal forma que a discriminação com religiões, principalmente afro-brasileiras continua acontecendo, uma vez que o governo não fiscaliza constantemente e não aplica multas e prisões severas. Consequentemente, o art. 208 é ferido, ocasionando em um exorbitante índice de violência contra esses fiéis no país verde-amarelo.

Outrossim, é válido apontar a educação ,nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção do imbróglio. Segundo, Paulo Freire, patrono da educação brasileira, as escolas devem fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate a intolerância religiosa, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealiza.

Mediante aos fatos supracitados, medidas devem ser tomadas. Em suma, cabe ao Estado - órgão responsável pela harmonia social - executar as leis que garantem proteção aos religiosos, por meio de um policiamento eficaz e atento a atitudes discriminatórias. Essa iniciativa tem como finalidade impulsionar os colégios a abordar em sala de aula sobre preconceito religioso, contribuindo assim, para que a sociedade assemelhe-se àquela dita por More.