ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 29/09/2022

Segundo a Constituição Federal de 1988, é direito do cidadão a liberdade religiosa e imperativo o respeito à diversidade de crenças. Contudo, no Brasil, há uma perpetuação da intolerância em relação às religiões dissidentes, devido à manutenção da visão histórica preconceituosa e à lacuna educacional, fato que que fere os direitos previstos na Carta Magna. Assim, é necessário discutir as causas para a persistência do preconceito, além de propor meios para combater a discriminação religiosa e assegurar o convívio social harmônico.

A priori, a manutenção da visão histórica é uma das razões para a perpetuação da intolerância. Dito isso, no Brasil colonial, os portugueses desenvolveram missões jesuíticas, a fim de catequizar os índios nativos e os escravos africanos, o que mostra a visão preconceituosa dos lusitanos sobre a cultura de outros povos. Por conseguinte, atribuiu-se às religiões dissidentes a ideia de mal, fator que contribuiu para a formação de uma visão discriminatória. Tal compreensão permanece nos dias atuais, devido à manutenção de estereótipos ruins associdados a ritos culturais de religiões africanas, por exemplo, como a “macumba”, confirmando a persistência do ideal histórico preconceituoso.

Em segunda análise, a lacuna educacional é outro fator que contribui para a permanência da intolerância. Nesse conxteto, na nação brasileira, a instituição do ensino de culturas africanas e aborígenas à matriz curricular de ensino foi aprovada apenas em 2003, fato que revela a desinformação, até então, acerca da diversidade de culturas e crenças. Nesse cenário, a ignorância social em relação à pluralidade de costumes, promovida pela falta de informações sobre as diferentes religiões, sustenta pré-concepções errôneas, o que, consequentemente, promove a formação de perspectivas discriminantes, estimulando a intolerância religiosa.

Em síntese, o preconceito de crenças é sustentado pela ignorância histórica. Dessa forma, as escolas, instituições responsáveis pela formação social dos indivíduos, devem, por meio de aulas e feiras culturais, promover um maior contato dos estudantes com as diferentes culturas e crenças que compõem a sociedade brasileira. Dessa maneira, com o objetivo de reduzir a desinformação, quebra-se os estereótipos e o preconceito acerca das religiões dissidentes.