ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 21/07/2023

A superestrutura, segundo Marx, é determinada pelas relações de dominação da infraestrutura. Isso é observável na intolerância religiosa preponderante às religiões de matriz africana que possui, em sua maioria, fiéis negros de periferia. Desta forma, a redução desse preconceito religioso precisa ser vista como produto necessário da atenuação da desigualdade. Assim, a construção de um estado laico pleno está intimamente ligada ao processo de melhoramento das condições materiais das classes sociais oprimidas.

Primeiro, é preciso analisar diacronicamente a constituição desigual das religiões do Brasil. O catolicismo apostólico romano, por exemplo, foi disseminado durante os primórdios do território como colônia portuguesa, de modo imperialista – os colonizadores classificaram como “inferior” e “descivilizada” as religiões dos africanos. Por esta razão que, segundo dados do IBGE, a religião cristã abarca expressivo contingente no país. O cristianismo era a religião dos livres, o Candomblé e Umbanda, religião dos escravizados.

Outrossim, constata-se sincronicamente que a população predominante, nas regiões periféricas das metrópoles do país, é parda e negra. Deste modo, esse povo relegado ao movimento pendular pode aparentar possuir jornadas de trabalho de oito horas, entretanto, na realidade, devido ao deslocamento percorrem-se até doze horas. A classe proletária negra, junto de sua religião, é estigmatizada por falta de oportunidades.

Ao fim, é preciso que o Ministério da Educação reserve cotas especiais em universidades públicas para praticantes de religiões de matriz africana a fim de oferecer educação de qualidade a essa classe de indivíduos. Para que possam melhorar suas condições materiais e a renda nacional possa ser mais distribuída a grupos historicamente oprimidos.