ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 08/03/2024

A laicidade de um país pode ser considerada ferida a partir do momento em que é tratada como inválida, no Brasil, a liberdade de expressão passou a ser justificativa para ataques, em sua maioria agressivos, ao direito concedido a cada cidadão de professar, ou não, uma crença. A intolerância à uma religião expõe a falta de respeito presente na atual sociedade, o posicionamento religioso em meio aos setores políticos e públicos coloca em debate a veracidade da liberdade disponível a todos as pessoas e reforça a dificuldade existente no combate à repelência religiosa.

Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Direitos Humanos, no ano de 2014, aponta a maior parte dos casos de intolerância religiosa no país atrelados aos fiéis das religiões de matriz africana. Esse levantamento infere a relação do preconceito racial e à crença de indivíduos devotos à Umbanda e Candomblé, revelando o racismo estrutural como potencial agravante dessa aversão. O período de colonização no Brasil resultou na escravização de pessoas negras a partir de uma doutrina pautada na superioridade de raças e religiões, dispersada pelos portugueses que se instalaram no país em 1822. Tal ideologia foi e permanece sendo disseminada por meio de atos de violência e extremismo, responsáveis pela diminuição da liberdade de expressão mesmo em meio a um Estado laico.

Sendo assim, essa intolerância reflete diretamente na diminuição da diversidade populacional, capaz de variar em raça, crença, costumes e opiniões. A ignorância ao processo de miscigenação, responsável por compor a população brasileira, leva a impossibilidade de haver a diversificação entre os indivíduos. Isso pode resultar na dificuldade presente nas relações sociais, sejam elas de trabalho, estudo ou até mesmo de cunho pessoal. “Toda pessoa tem o direito de praticar a religião que escolher.” é o que diz um dos direitos humanos instituídos pela ONU (Organização das Nações Unidas), instituição responsável pela garantia de direitos e dignidades dos seres humanos.