ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Enviada em 08/03/2024

“Não é coisa de Deus!”. Assim são classificadas as religiões de matrizes africanas por muitos brasileiros, que são de maioria cristã. Essa demonização é fruto da colonização europeia, que não aceitava as religiões dos povos originários e africanos escravizados. E que foi ao longo da história mantida pelos governos, passando pelo Império, pela primeira era da República e na Era Vargas, com cultos sendo proibidos e terreiros vandalizados pela polícia. Hoje, há uma tentativa de grupos políticos conservadores de impor a sua religião nas leis que propõem, afetando os direitos civis, mesmo o país sendo laico.

Para começo de história, a intolerância religiosa começou a existir no Brasil com o processo de colonização europeia, principalmente de Portugal. Os colonizadores, de maioria católica, achavam que qualquer outra religião, especialmente as que tinham mais de um deus, era inferior e do mal. Por conta disso, iniciou-se uma perseguição e demonização às religiões indígenas e, mais notavelmente, as de matrizes africanas.

Mesmo quando o país virou independente, demorou anos para que essas crenças fossem legalizadas, porque a única religião que era permitida durante o Império, a primeira era da República e a Era Vargas era o catolicismo.

Um bom exemplo disso é que as religiões que mais sofrem com casos de intolerância religiosa são as de matriz africana. De acordo com uma pesquisa feita pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 75% reclamações reportando crimes desse tipo envolvem religiões como o Candomblé, a Umbanda, dentre outros tipos de fé da mesma natureza. Além disso, o que reforça mais esse fator na atualidade são propostas de leis criadas por políticos conservadores que tentam impor, de alguma forma, a sua religião, o que fere os direitos civis.

Portanto, é difícil acabar com a intolerância religiosa no Brasil, mas o Estado pode tomar medidas para diminuir os efeitos desse crime na sociedade. Como a criação de uma campanha feita pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para incentivar as pessoas a denunciarem esse crime, por meio do Disque 100 e a inclusão de um material escolar, fornecido pelo Ministério da Educação (MEC), que discuta sobre a intolerância religiosa.