ENEM 2016 - 1ª Aplicação - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
Enviada em 13/10/2024
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um ou
mais cidadãos mobilizam-se para solucionar o mesmo problema. No entanto, ao verificar a existência da intolerância religiosa no Brasil, percebe-se que os ideais iluministas são tidos na teoria mas não desejavelmente na prática. Dessa forma, a problemática segue intrinsecamente ligada à realidade do povo, sendo fomentada pela ineficiência do governo, concomitantemente ao fator social.
Em primeira análise, observa-se que a falta de ações governamentais é fator crucial do imbróglio. Assim, de acordo com o filósofo Aristóteles, os governantes, por meio da justiça, devem proporcionar o equilíbrio do tecido social. Entretanto, ao olhar para os dados divulgados no site Folha, os quais demonstram que entre 2011 e julho de 2014 cerca de 33% dos dias houveram denúncias relativas a intolerância da fé, averigua-se incompletude deste direito aos brasileiros. Desse jeito, os direitos de crença estabelecidos pela Constituição de 1988 são invisibilizados e a população, por falta de conhecimento, comete atos discriminatórios tipificados como crime pelo Código Penal.
Outrossim, o quesito social é determinante para a solidificação do impasse. Desse modo, segundo o sociólogo Durkheim, em sua teoria do Fato Social, os seres são construídos mediante o meio em que vivem, moldados por fatores coercitivos, generalizados e exteriores. Sob este viés, o cenário nacional está consolidado em bases preconceituosas advindas desde o período das colonias, quando portugue-ses íam à costa africana a procura de escravos, surgindo desta atividade imoral teses que relacionavam as religiões africanas, e seus seguidores, aos conceitos malígnos entitulados de bruxaria e feitiçaria. Sendo assim, a conjuntura nacional perpetua pensamentos intolerantes, passando de geração em geração ideias errôneas sobre minorias religiosas, inviabilizando a extinção dos tabus.
Portanto, urge que o Ministério das Comunicações, em parceria com programas midiáticos, discutam sobre a temática a fim de esclarecer aos brasileiros os direitos religiosos estabelecidos pela Constituição. Além disso, este órgão deve convidar representantes de diversas religiões que constituem o país para discorrerem de maneira crítica sobre a intolerância, abrindo espaço para a educação nacional.