ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/10/2025

Desde o período colonial, o racismo constitui uma chaga histórica que atravessa gerações e se perpetua nas estruturas sociais brasileiras. Apesar de avanços legais e simbólicos, como a criminalização do racismo pela Constituição de 1988, a discriminação racial ainda se manifesta nas desigualdades de acesso à educação, ao mercado de trabalho e à representatividade política e cultural. Diante desse cenário, é imprescindível discutir caminhos que promovam a equidade racial e fortaleçam a consciência antirracista no país.

Em primeiro lugar, é importante reconhecer que o racismo no Brasil é estrutural, ou seja, está enraizado nas instituições e nas práticas cotidianas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas negras representam mais de 70% das vítimas de homicídio e possuem rendimentos significativamente menores do que pessoas brancas. Esses dados revelam que o problema ultrapassa o campo das relações interpessoais e se insere em um contexto histórico de exclusão que remonta à escravidão e à ausência de políticas reparatórias no pós-abolição. Assim, torna-se fundamental enfrentar essa herança por meio de políticas públicas efetivas e de uma mudança cultural ampla.

Além disso, a representatividade é outro caminho essencial para o combate ao racismo. A presença de pessoas negras em espaços de poder, na mídia e nas universidades rompe estereótipos e amplia o sentimento de pertencimento social. Políticas afirmativas, como o sistema de cotas raciais, já demonstraram eficácia na democratização do acesso ao ensino superior e precisam ser mantidas e aperfeiçoadas, garantindo que a diversidade se reflita também nos espaços de decisão política e econômica.

Portanto, o Ministério da Educação deve fiscalizar o cumprimento da Lei nº 10.639/2003 que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, afim contribuir para a valorização das identidades negras e para o combate ao preconceito desde a infância e, através de investimentos, organizar campanhas midiáticas de conscientização antirracista. Somente com essas ações articuladas será possível construir um país verdadeiramente igualitário, no qual a cor da pele não determine o destino das pessoas.