ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 20/10/2025

No livro “Quarto de Despejo", a autora Carolina Maria de Jesus retrata com sensibilidade e realismo as dificuldades enfrentadas por uma mulher negra e periférica na luta pela sobrevivência em meio à miséria e à exclusão social. Embora tenha sido escrito na década de 1950, o relato evidencia questões ainda atuais, como a desigualdade racial e o preconceito estrutural no Brasil. Nesse viés, é possível perceber que a problemática do racismo se manifesta por meio da marginalização histórica da população negra e da falta de políticas eficazes para promover equidade, perpetuando injustiças sociais e econômicas.

Sob essa perspectiva, deve-se ressaltar que o racismo estrutural continua naturalizado em diversos âmbitos da sociedade. Historicamente, o país construiu uma falsa imagem de democracia racial, negando a existência do preconceito e dificultando o reconhecimento das desigualdades étnico-raciais. No ambiente escolar, por exemplo, ainda é limitada a valorização da história e da cultura afro-brasileira, mesmo após a implementação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino dessas temáticas. Consequentemente, estudantes permanecem sem uma formação crítica sobre o passado escravocrata e suas consequências atuais, o que impede a construção de uma consciência coletiva antirracista.

Ademais, outro fator que intensifica o problema é a desigualdade de oportunidades no mercado de trabalho e no acesso a posições de poder. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que pessoas negras recebem salários menores que pessoas brancas e representam minoria em cargos de liderança. Sob essa ótica, o racismo se consolida como um obstáculo concreto à mobilidade social e ao exercício pleno da cidadania, contrariando os princípios constitucionais de igualdade e dignidade humana.

Portanto, são indispensáveis medidas efetivas para combater o racismo no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, reforçar a implementação da Lei nº 10.639/2003, providenciando a formação continuada de docentes e a criação de materiais pedagógicos que valorizem acultura afro-brasileira, a fim de promover igualdade e justiça social.