ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 20/10/2025

Em “Quarto de Despejo”, a escritora Carolina Maria de Jesus retrata a dura realidade de uma mulher negra na favela, evidenciando como a desigualdade racial atravessa gerações no Brasil. Essa obra, apesar de datada, ainda reflete um problema persistente: o racismo estrutural. Mesmo após avanços legais e sociais, a discriminação racial continua presente nas relações cotidianas, nas oportunidades de trabalho e na representação social. Diante disso, é necessário discutir caminhos eficazes para combater o racismo no país, especialmente diante de dois desafios centrais: a naturalização do preconceito e a falta de representatividade.

O primeiro desafio é a naturalização do racismo no cotidiano. Expressões preconceituosas, “piadas” e atitudes discriminatórias muitas vezes são tratadas como inofensivas, perpetuando estereótipos e reforçando desigualdades. Essa banalização faz com que parte da sociedade não reconheça o racismo como um problema real, dificultando a construção de empatia e políticas públicas eficazes. Além disso, a ausência de educação antirracista nas escolas contribui para a manutenção de uma visão distorcida sobre a formação do povo brasileiro, que, embora miscigenado, ainda é profundamente desigual em termos raciais.

Outro obstáculo relevante é a escassez de representatividade de pessoas negras em espaços de poder e visibilidade. Na mídia, na política e nas instituições de ensino, ainda há predominância de figuras brancas, o que reforça a exclusão simbólica e limita o sentimento de pertencimento das populações negras. Essa ausência de referências positivas contribui para a perpetuação de preconceitos e para a baixa autoestima entre jovens negros, dificultando o rompimento do ciclo de exclusão.

Diante do exposto, é evidente que o combate ao racismo no Brasil exige ações educativas e políticas consistentes. Para isso, o Ministério da Educação deve implementar de forma efetiva programas de educação antirracista, garantindo formação docente e inclusão da temática no currículo escolar.Além disso, os meios de comunicação devem ampliar a representação de pessoas negras em papéis de destaque, promovendo uma sociedade mais plural e justa.