ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 24/10/2025

O pensador francês Jean-Paul Sartre afirmou que “o importante não é o que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”. Essa reflexão aplica-se ao contexto brasileiro, no qual o racismo, herança de um passado escravocrata, ainda estrutura relações sociais e oportunidades. Apesar de avanços legais e discursivos, a discriminação racial continua a excluir milhões de brasileiros. Diante disso, é urgente discutir caminhos para o combate do racismo no país, de modo a promover igualdade e respeito à diversidade.

De acordo com o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, o mito da “democracia racial” mascarou, por décadas, a existência do racismo no Brasil. Após a abolição da escravidão, em 1888, o Estado não implementou políticas de inserção da população negra, perpetuando desigualdades em diversas áreas, como educação, emprego e renda. Essa ausência de reparação histórica consolidou o racismo estrutural, isto é, um sistema que privilegia determinados grupos e marginaliza outros. Assim, é indispensável que o poder público adote medidas efetivas para corrigir essas distorções e garantir equidade social.

Segundo Paulo Freire, “a educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem”. Nesse sentido, a escola deve ser um espaço central na luta antirracista, por meio da valorização da história e cultura afro-brasileira, conforme previsto na Lei 10.639/03. A formação de professores e a inclusão de materiais didáticos representativos podem contribuir para desconstruir preconceitos desde a infância. Ademais, os meios de comunicação, ao promoverem representações positivas da população negra, têm o poder de transformar mentalidades e fortalecer o respeito às diferenças.

Portanto, é fundamental que o Estado amplie políticas públicas de combate à discriminação racial e que a sociedade civil se engaje na construção de uma cultura antirracista. Por meio da educação transformadora e da responsabilidade midiática, será possível romper com o legado da exclusão e consolidar um país mais justo, plural e igualitário — no qual a cor da pele jamais determine o destino de um cidadão.