ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
No filme “Histórias Cruzadas”, lançado em 2011, é retratada a história de uma mulher negra que relata seu cotidiano como empregada doméstica e as violências racistas que sofria. De modo semelhante ao contexto brasileiro contemporâneo, o racismo persiste como uma grave problemática social. Tal realidade não apenas fere a dignidade humana, como também contribui para a desvalorização da cultura negra, ao silenciar saberes, histórias e tradições dessa população. Nesse sentido, torna-se necessário discutir os caminhos para combater o racismo no Brasil.
Em primeiro lugar, a falta de ações sociais efetivas contribui para a permanência do racismo no Brasil. No livro “Pele Negra, Máscaras Brancas” (1952), Frantz Fanon mostra como o racismo afeta psicologicamente o indivíduo negro, gerando sentimentos de inferioridade e perda de identidade. Tais efeitos revelam que o racismo vai além da exclusão social, comprometendo diretamente a dignidade humana ao negar igualdade de tratamento e respeito à população negra — direitos garantidos por leis nacionais e internacionais. Assim, a omissão do poder público reforça essa violação contínua.
Além disso, a desvalorização simbólica da cultura negra ao negar legitimidade a suas expressões artísticas, religiosas e intelectuais, é uma das formas mais sutis e persistentes de racismo. O conceito de “violência simbólica”, desenvolvido pelo sociólogo Pierre Bourdieu, auxilia a compreensão desse fenômeno ao dizer sobre a imposição de uma cultura dominante que desqualifica outras, como a negra, promovendo a exclusão pelo viés simbólico. Essa prática compromete não apenas a autoestima da população negra, mas também a construção de uma sociedade plural e democrática.
Portanto, torna-se imprescindível buscar meios para combater o racismo no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve investir na formação de professores, por meio de cursos e materiais didáticos sobre a história afro-brasileira. A ação, em parceria com universidades públicas, deve garantir uma educação antirracista nas escolas. Dessa forma, será possível reduzir o preconceito desde a base social e evitar práticas que ferem a dignidade humana da população negra.