ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
A historiadora Lilia Schwarcz afirma que “o Brasil é um país marcado pela naturalização da desigualdade”, evidenciando que o racismo vai além de atitudes individuais e se manifesta estruturalmente, perpetuando desigualdades em áreas como educação e representatividade. Nesse sentido, o problema, historicamente enraizado, reflete-se na exclusão da população negra e na manutenção de estereótipos. Por isso, é fundamental promover ações integradas que valorizem a educação antirracista e ampliem a representatividade na mídia.
Em primeira análise, a educação desempenha papel central no combate ao racismo estrutural. Dados do IBGE (2022) mostram que 63% dos jovens que abandonam os estudos até o ensino médio são pretos ou pardos. Além disso, como destaca Djamila Ribeiro, “é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista”, evidenciando a internalização de preconceitos que reforçam a exclusão educacional. Portanto, é necessário investir em formação docente e em estratégias pedagógicas que desconstruam preconceitos e formem cidadãos conscientes.
Além disso, a mídia exerce papel crucial na promoção da diversidade e na desconstrução de estereótipos. Segundo a Agência Brasil (2023), apenas 3,4% dos jornalistas se identificam como negros e 6,1% como pardos, refletindo a sub-representação da população negra. Por outro lado, a música “Eu não venci o sistema”, de MC Sid, evidencia as barreiras enfrentadas por jovens negros. Nesse sentido, incentivar filmes, séries e programas que retratem a diversidade racial, por meio de políticas de incentivo fiscal, pode oferecer modelos positivos de identidade e combater narrativas discriminatórias.
Logo, o enfrentamento do racismo no Brasil requer políticas públicas articuladas. Assim, o Ministério da Educação deve promover capacitação docente e produção de materiais que valorizem a história afro-brasileira. Paralelamente, o Ministério da Cultura deve incentivar conteúdos midiáticos que ampliem a representatividade negra. Dessa forma, tais ações, ao desconstruírem preconceitos e criarem oportunidades, contribuirão para uma sociedade mais justa, na qual a cor da pele não determine trajetórias de vida.