ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
O Período Colonial brasileiro, entre os séculos XVI e XIX, foi marcado pela tentativa de converter os povos indígenas ao catolicismo, reflexo do pensamento português de soberania espiritual e cultural. Embora esse contexto pertença ao passado, a intolerância religiosa no Brasil atual ainda evidencia resquícios de sua origem: a imposição de dogmas e a prática de violências simbólicas e físicas. No entanto, a lenta transformação da mentalidade coletiva e o receio de denunciar abusos dificultam a superação dessa questão, configurando um grave problema social.
Nesse cenário, é válido destacar que, conforme Sócrates, os erros são resultado da ignorância humana. Assim, o desconhecimento acerca de crenças distintas influencia diretamente comportamentos preconceituosos contra indivíduos que seguem doutrinas divergentes. Ademais, em algumas religiões, o contato com visões diferentes é desencorajado, o que amplia a intolerância. Por isso, conhecer a legislação é essencial para reconhecer o direito à liberdade de crença e, consequentemente, promover o respeito às visões plurais presentes na sociedade.
Além disso, segundo Paulo Freire, em “Pedagogia do Oprimido”, é preciso construir uma “cultura de paz”. De modo semelhante, muitos religiosos, com receio de gerar conflitos, silenciam diante de casos de intolerância, sobretudo quando envolvem violência. Contudo, omitir-se diante de um crime significa perpetuar a discriminação, o que representa um obstáculo à justiça social e à convivência harmônica entre os cidadãos.
Portanto, é indispensável adotar medidas que assegurem o respeito à diversidade religiosa e o estímulo à denúncia. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Justiça, inserir nos livros didáticos de História conteúdos que relacionem a aculturação indígena com a intolerância religiosa contemporânea, a fim de despertar o senso crítico dos alunos. Além disso, deve-se promover palestras conduzidas por defensores públicos sobre o direito à liberdade de crença, e a Polícia Civil deve criar um canal anônimo de ouvidoria, de modo a facilitar denúncias e fortalecer o combate à intolerância.