ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 21/10/2025

No Brasil, país historicamente marcado pela escravidão e pela desigualdade racial, o racismo permanece como uma ferida que desafia a construção de uma sociedade justa e igualitária. Apesar dos avanços legais, como a criminalização do racismo pela Constituição de 1988, as práticas discriminatórias seguem enraizadas nas relações sociais, evidenciando uma contradição entre a lei e a realidade. Soma-se a isso a omissão do Estado e a naturalização social das desigualdades, que perpetuam um ciclo de exclusão e violência simbólica contra a população negra.

A herança escravocrata é um dos pilares que sustentam o racismo brasileiro. Durante mais de três séculos, milhões de africanos foram submetidos à exploração e desumanização, e, mesmo após a abolição formal da escravidão, não houve políticas públicas eficazes de inclusão social. Como destacou o sociólogo Gilberto Freyre, o mito da “democracia racial” mascarou as desigualdades, tornando o preconceito mais sutil e, portanto, mais difícil de combater.

Além disso, o racismo também se manifesta no campo simbólico, pela representação estereotipada de pessoas negras na mídia e pela falta de valorização de suas identidades culturais. Essa violência simbólica, conceito trabalhado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, impede o reconhecimento pleno do outro e perpetua a inferiorização. Tal cenário contribui para a exclusão e para a perpetuação de padrões eurocêntricos, que distorcem a pluralidade cultural brasileira. Combater o racismo, portanto, requer não apenas mudanças institucionais, mas também uma transformação profunda nas mentalidades.

Diante disso, é imperativo que o Estado e a sociedade civil atuem de forma conjunta. O poder público deve fortalecer políticas de cotas raciais no ensino e no mercado de trabalho, além de promover campanhas educativas que estimulem a empatia e a valorização da cultura afro-brasileira desde a infância.As escolas, por sua vez, precisam aplicar efetivamente que determina o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira, a fim de desconstruir estereótipos e formar cidadãos críticos e conscientes. Dessa maneira, será possível transformar o cenário de exclusão em um de respeito e equidade, tornando real a esperança presente na canção de Chico Buarque: “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.