ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
Na obra “O avesso da pele” de Jeferson Tenório" é narrada a história de Pedro, um jovem que enfrenta a perda de seu pai, assassinado em uma abordagem policial. Através dos objetos deixados por seu pai, Pedro tenta reconstruir a vida e a memória do homem que perdeu, refletindo sobre a violência, o racismo e as dificuldades enfrentadas por homens negros. No Brasil, essa é a realidade de muitas pessoas, que precisam enfrentar muitos desafios como a brutalidade do racismo estrutural e a violência policial.
Em primeiro lugar, o racismo estrutural permanece como uma herança histórica do período escravocrata brasileiro. Desde então, a população negra é sistematicamente marginalizada por instituições sociais que perpetuam desigualdades. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas negras representam mais de 70% das vítimas de homicídio no país, o que evidencia o impacto dessa estrutura desigual. Essa realidade demonstra que a discriminação racial não é apenas individual, mas está enraizada em práticas institucionais que limitam oportunidades e comprometem a dignidade humana.
Além disso, a violência policial reflete essa desigualdade e reforça a sensação de insegurança entre grupos racializados. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 80% dos mortos em operações policiais são pessoas negras. Essa desproporcionalidade denuncia uma seletividade no uso da força do Estado, marcada pelo preconceito e pela criminalização da pobreza. Como consequência, consolida-se um ciclo de medo e exclusão social, em que o corpo negro é constantemente alvo de suspeita e hostilidade.
Portanto, é imprescindível que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, implemente políticas de combate ao racismo institucional. Isso pode ser feito por meio de formações obrigatórias em direitos humanos e relações étnico-raciais para agentes de segurança, além da criação de mecanismos de fiscalização e denúncia de abusos policiais. Tais ações, a serem aplicadas em até cinco anos, devem garantir o respeito à diversidade e reduzir as práticas discriminatórias. Assim, será possível construir uma sociedade mais justa, em que a cor da pele não determine o valor da vida.