ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil

Enviada em 21/10/2025

O racismo, embora condenado pela Constituição brasileira, ainda se manifesta de forma estrutural, afetando o acesso de pessoas negras a direitos fundamentais como educação, emprego e segurança. Mesmo após séculos do fim da escravidão, o Brasil ainda carrega marcas profundas desse passado, o que exige ações concretas e contínuas para promover a equidade racial e a valorização da população negra.

Um dos grandes desafios é a persistência da violência institucional. Como mostram dados da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, entre 2000 e 2019, os homicídios de pessoas brancas caíram 30%, enquanto os de negros aumentaram 86%. Esse cenário evidencia que o sistema de segurança pública brasileiro atua de forma desigual, especialmente nas periferias, onde as ações policiais frequentemente resultam em chacinas e violações de direitos. A ausência de controle social sobre as forças de segurança reforça o racismo estrutural e enfraquece a democracia.

Além disso, a desvalorização das políticas afirmativas representa um retrocesso no combate à desigualdade racial. Programas como as cotas nas universidades e no serviço público garantiram avanços significativos na inclusão de pessoas negras em espaços historicamente negados. Entretanto, a redução de investimentos e o desmonte de conselhos de acompanhamento ameaçam sua continuidade, o que dificulta a consolidação de uma sociedade mais justa.

Portanto, para combater efetivamente o racismo no Brasil, é necessário que o Governo Federal crie um Plano Nacional Permanente de Igualdade Racial, com metas e fiscalização periódica, garantindo recursos para políticas de inclusão, formação antirracista de professores e fortalecimento de órgãos de controle da segurança pública. Além disso, a mídia e as escolas devem ampliar a representatividade negra em conteúdos e campanhas educativas, promovendo o respeito à diversidade e às religiões de matriz africana. Somente com compromisso político e social será possível construir um país verdadeiramente igualitário.