ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
No filme “Estrela além do tempo” de 2016, a matemática Katherine Johnson é forçada a correr quase um quilômetro para usar o banheiro ‘de pessoas negras’, mesmo sendo peça-chave na missão espacial norte-americana. Análoga à realidade brasileira, essa cena simboliza como o racismo estrutural impõe obstáculos cotidianos que limitam o acesso e o reconhecimento da população negra, perpetuando desigualdades sociais históricas.
Em primeiro plano, o racismo estrutural no Brasil se reflete na desigualdade socioeconômica. Conforme dados do IBGE, a população negra representa a maior parte dos desempregados e recebe, em média, salários significativamente inferiores aos de trabalhadores brancos com a mesma formação. Essa disparidade, é resultado de séculos de exclusão e da dificuldade de acesso a oportunidades, perpetuando um ciclo de marginalização que limita a mobilidade social dessa parcela da população.
Além do viés econômico, na mídia, na cultura e nas instituições políticas, prevalece uma narrativa que ignora a relevância histórica e social dos afro-brasileiros, como se suas trajetórias e conquistas fossem menos importantes. Essa ausência não só reforça visões distorcidas sobre sua capacidade e lugar na sociedade, mas também naturaliza e perpetua uma estrutura racista que corrói os alicerces de uma sociedade verdadeiramente democrática e justa.
Diante dessa realidade, é imperioso que o Estado, em parceria com a iniciativa privada e a sociedade civil, atue de forma coordenada para desconstruir o racismo. A implementação de políticas de ações afirmativas, como cotas raciais em universidades e concursos públicos, deve ser ampliada e fortalecida. Paralelamente, é fundamental investir na educação antirracista desde a base escolar, com a inclusão no currículo da história da África e da cultura afro-brasileira, além da promoção de campanhasmidiáticas que combatam estereótipos. Somente por meio de um projeto nacional que enfrente o problema em suas múltiplas dimensões será possível transformar a legislação em prática e construir um país verdadeiramente justo e igualitário.