ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
A Constituição Federal de 1988 assegura a igualdade de todos perante a lei, mas o racismo persiste como uma das chagas sociais mais profundas do Brasil. Enraizado na herança escravocrata e alimentado pelo mito da democracia racial, o preconceito impede a plena cidadania. Portanto, é imperativo que o combate a essa mazela passe pela desconstrução ideológica e pela efetiva aplicação da justiça.
Sob esse viés, a ignorância histórica e o negacionismo são os primeiros entraves a serem superados. Conforme o sociólogo Florestan Fernandes, o país nunca completou sua transição para uma sociedade justa. A crença na harmonia racial mascara o racismo estrutural, impedindo seu reconhecimento social e institucional. Assim, a falta de uma educação crítica e plural perpetua a invisibilidade do problema e naturaliza atitudes discriminatórias no cotidiano.
Ademais, a segregação se manifesta com força nas esferas institucionais e na segurança pública. É notória a desigualdade racial em setores como o mercado de trabalho, o acesso à justiça e os alarmantes índices de violência policial contra a população negra. O racismo, nesse contexto, opera como um sistema que oprime e marginaliza, violando o princípio constitucional da isonomia jurídica e a dignidade humana. Logo, a legislação existente precisa de maior rigor punitivo e fiscalização.
Destarte, medidas são urgentes para reverter esse quadro. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com a sociedade civil, promover a desconstrução ideológica. Isso será feito por meio de programas obrigatórios de reeducação histórica e étnico-racial no currículo, visando valorizar a diversidade e superar o etnocentrismo. Simultaneamente, o Poder Judiciário deve aumentar a fiscalização e a rigorosa aplicação da Lei nº 7.716/89. Essa ação será detalhada pela criação de varas especializadas e canais de denúncia digitais, garantindo que o direito à igualdade seja, de fato, cumprido no Brasil.