ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 21/10/2025
Apesar de ser constitucionalmente reconhecido como crime inafiançável, o racismo ainda se manifesta de forma estrutural no Brasil e perpetua desigualdades históricas. O pensamento do sociólogo Silvio Almeida define essa realidade como “racismo estrutural”, por estar enraizado nas instituições e nas práticas cotidianas, mesmo que de forma velada. Tal contexto evidencia um paradoxo: enquanto o país se orgulha de sua diversidade cultural, ainda naturaliza a desigualdade racial, o que exige a formulação de ações efetivas para combater esse problema.
Em primeiro plano, a educação deficiente sobre a temática racial constitui um fator central para a permanência desse cenário. Nas escolas brasileiras, muitas vezes, a história e a cultura afro-brasileira são reduzidas a uma abordagem folclórica e pontual — em desconformidade com a Lei 10.639/03, que torna obrigatório seu ensino. Esse apagamento histórico contribui para a consolidação de estereótipos e dificulta a construção de uma consciência crítica nas novas gerações. Nesse sentido, a filósofa Angela Davis afirma que “numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”, reforçando a urgência de uma educação transformadora.
Além disso, o racismo no mercado de trabalho perpetua desigualdades socioeconômicas. Dados do IBGE revelam que pessoas negras recebem, em média, 40% menos do que pessoas brancas em funções equivalentes, mesmo quando possuem qualificação semelhante. Esse abismo evidencia como as barreiras enfrentadas pela população negra não se restringem ao campo simbólico, mas impactam diretamente sua ascensão social. A lógica meritocrática, quando ignora o ponto de partida desigual, contribui para a manutenção do status quo.
Diante disso, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com instituições culturais e movimentos sociais, promova programas de formação continuada para professores, com enfoque obrigatório e prático no combate ao racismo. Paralelamente, o Ministério do Trabalho deve fortalecer políticas de fiscalização e incentivo à contratação de profissionais negros em cargos de liderança, com metas de diversidade.