ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 24/10/2025
A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 5º, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, essa garantia legal ainda não se concretiza plenamente na sociedade brasileira, marcada por profundas desigualdades raciais. O racismo, embora muitas vezes velado, manifesta-se em diversas esferas sociais, como no mercado de trabalho, na educação e nas abordagens policiais, exigindo ações efetivas para sua erradicação.
Historicamente, o Brasil construiu uma falsa ideia de democracia racial, conceito criticado por Lélia Gonzalez, que denunciava a invisibilização do racismo no país. Essa narrativa contribuiu para a naturalização do preconceito, que se perpetua por meio da exclusão social e da falta de representatividade. Segundo o IBGE, pessoas negras têm menor acesso à educação superior e ocupam os cargos mais precarizados. Além disso, a violência policial atinge desproporcionalmente jovens negros, revelando um viés discriminatório nas instituições de segurança pública.
Outro aspecto essencial no combate ao racismo é a valorização da cultura afro-brasileira e a promoção da representatividade. A filósofa Angela Davis afirma que “numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”, o que reforça a importância de ações ativas. A mídia pode contribuir ao dar visibilidade a artistas e intelectuais negros, enquanto as escolas devem aplicar com rigor a Lei 10.639/03, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira. A educação antirracista é fundamental para formar cidadãos conscientes e empáticos.
Portanto, para enfrentar o racismo no Brasil, o Estado deve ampliar políticas de inclusão, como cotas raciais e programas de acesso à educação e cultura. Além disso, é necessário fortalecer canais de denúncia e garantir a punição de práticas discriminatórias. A sociedade civil, por sua vez, deve se engajar em ações coletivas que promovam o respeito à diversidade. Assim, será possível construir um país mais justo e igualitário.