ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 22/10/2025
Em Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus expõe, com sensibilidade e contundência, as desigualdades sociais e o preconceito racial vividos nas periferias brasileiras, revelando como o racismo estrutura a exclusão e a miséria. Décadas após a publicação da obra, o Brasil ainda convive com essa herança, que se manifesta de forma velada nas relações cotidianas e institucionais. Apesar de avanços legais, como a Lei nº 7.716/1989, o preconceito racial persiste e impede o pleno exercício da cidadania da população negra. Entre os principais desafios, destacam-se a naturalização do racismo e a falta de representatividade nos espaços de poder e visibilidade.
A naturalização do racismo ocorre quando atitudes discriminatórias são ignoradas ou tratadas como irrelevantes. Expressões preconceituosas e estereótipos raciais são muitas vezes disfarçados de humor, mascarando a violência simbólica que reforça a exclusão social. Essa banalização torna o racismo parte do cotidiano, dificultando sua identificação e combate, além de comprometer o sentimento de pertencimento e autoestima da população negra. Assim, o preconceito se mantém como um problema estrutural e silencioso.
A falta de representatividade também contribui para a perpetuação das desigualdades. A baixa presença de pessoas negras na mídia, na política e em cargos de liderança reforça a ideia de inferioridade e restringe o acesso a oportunidades. A ausência de referências positivas limita o reconhecimento da identidade negra e reduz as possibilidades de transformação social. Desse modo, a falta de visibilidade reforça a exclusão e perpetua a concentração de poder nas mãos de grupos historicamente privilegiados.
Portanto, para combater o racismo no Brasil, o Ministério da Educação deve investir em programas que abordem a história e a cultura afro-brasileira desde o ensino básico, formando cidadãos mais conscientes e empáticos. Paralelamente, o Ministério da Igualdade Racial deve incentivar a presença negra em cargos de liderança e na mídia, garantindo maior visibilidade e reconhecimento. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais justa e coerente com os ideais de igualdade que Carolina Maria de Jesus tanto representou em sua obra.