ENEM 2016 - 2ª Aplicação - Caminhos para combater o racismo no Brasil
Enviada em 22/10/2025
O racismo é um problema estrutural e histórico que ainda marca profundamente a sociedade brasileira. Mesmo após mais de um século da abolição da escravidão, as desigualdades raciais continuam evidentes nos âmbitos social, econômico e cultural. Essa realidade demonstra que o preconceito racial não se limita a atitudes individuais, mas se manifesta de forma institucional e cotidiana, exigindo ações concretas que promovam igualdade e respeito à diversidade.
A formação histórica do Brasil, baseada em mais de trezentos anos de escravidão, deixou marcas profundas na estrutura social. O sociólogo Florestan Fernandes, ao estudar o período pós-abolição, destacou que a liberdade concedida aos negros não foi acompanhada de políticas de inserção social, perpetuando a marginalização e a exclusão dessa população. Esse passado de desigualdades reflete-se até hoje na dificuldade de acesso a oportunidades de trabalho, educação e representação política, o que demonstra a permanência do racismo estrutural.
Além disso, o sistema educacional e os meios de comunicação exercem papel central na reprodução ou no combate ao preconceito. A ausência de representatividade positiva da população negra na mídia e o ensino superficial sobre a história africana contribuem para a manutenção de estereótipos e da chamada “cegueira racial” — a negação da existência do racismo. Desse modo, torna-se essencial que a educação seja utilizada como instrumento de conscientização e valorização da diversidade étnica e cultural.
Portanto, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas e privadas, fortaleça a aplicação da Lei 10.639/03, garantindo o ensino da cultura afro-brasileira e africana em todos os níveis de ensino. Paralelamente, o governo federal deve ampliar campanhas midiáticas de combate ao racismo e criar canais de denúncia acessíveis à população, com o intuito de reduzir práticas discriminatórias e incentivar a igualdade racial. Assim, será possível construir um país mais justo, onde o respeito e a equidade se tornem valores concretos da sociedade brasileira.